Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

cantinho da casa

cantinho da casa

tiros e mais tiros

Fui ao mercado municipal comprar flores, desta vez cravos vermelhos e vivazes,  para as campas dos meus familiares.

Não sou fã de cravos, embora a cor vermelha seja a minha favorita, resolvi que para celebrar a Liberdade que os meus pais defendiam, e porque o meu irmão mais velho foi combatente em Guiné, decidi ir hoje pôr as flores.

Fui surpreendida por uma amiga que viu-me passar( eu não a vi), e foi ter comigo, estava eu a limpar a campa dos meus pais e da minha irmã.

Estivemos à conversa, um pouco.

Depois de nos despedimos, continuei a minha tarefa.

Ora, o Regimento de Cavalaria n° 6, fica a poucos metros do cemitério.

Ouvia-se o som dos tiros constantes, e bastantes.

Há tempos que não os ouvia.

Estive no cemitério muito tempo, o som não se calava.

Imagino como será quem vive debaixo de fogo constante.

Os militares estarão a treinar para alguma celebração do dia 25 , o dia em que o cravo vermelho foi , e é, o símbolo da nossa Liberdade.

50 anos de 25 de Abril também comemoro com cravos vermelhos, os meus familiares defuntos.

E em casa também.

IMG_20240423_173255.jpg

 

 

 

 

 

 

O dia da Liberdade

foi, finalmente, ir a pé ao Bom Jesus.

Há cerca de três anos que não fazia esta caminhada,  as últimas vezes que fui deixei o carro no parque junto aos escadórios, subi estes. A descida foi no funicular.

Eu queria caminhar, queria testar as minhas pernas, se, com a ginástica que faço, conseguia ir e vir sem problemas.

A temperatura estava agradável, é nesta altura que é mais fácil percorrer os cerca de 9km, ida e volta.

Há muitas pessoas a fazerem a subida e descida dos escadórios, a correr, a andar, com companhia, sozinhas, ou com os seus animais de estimação.

E já se vêem os turistas nesta onda.

Então, com algumas paragens para as fotografias, embora cansada, até porque hoje fiz duas aulas seguidas no ginásio, o corpo tem pedido descanso, mas fiquei satisfeita comigo.

Vou repetir, lá para o fim do mês de Maio, numa manhã fresca, porque com o calor não me atrevo a estas andanças.

A subida:

photogrid.collagemaker.photocollage.squarefit_2023

photogrid.collagemaker.photocollage.squarefit_2023

O regresso:

photogrid.collagemaker.photocollage.squarefit_2023

A tarde, e porque a sobrinha queria comprar umas sapatilhas para o filho, fomos ao  Centro Comercial Nova Arcada, entramos na loja, estivemos pouco tempo,  não havia o número para o pé dele, saímos e a partir daqui, num parque que lá existe, com muitas crianças que corriam loucas de um lado para o outro, um amigo viu-o e todo o tempo foi para a brincadeira.

À vinda, chateou a cabeça à mãe , queria ir para o autocarro.

E foi...

ele.jpg

E eu estava exausta.

Deitei-me as onze da noite, dormi, mas acordei cedo.

E fui para o ginásio.

 

25 de Abril

O teu bom humor, a tua alegria, eram contagiantes.

Um jovem bonito que destroçava corações.

Veio a tropa, e a revolta quando foste destacado para a Guiné.

O dia da Liberdade trouxe-te, um ano depois.

Casaste, tiveste três filhos, agora pais, também.

Infelizmente, o cancro levou-te , em 2004.

As  minhas memórias estão nas fotos que enviavas para tranquilizar a nossa mãe.

IMG_20230425_082840.jpg

 

IMG_20230425_082812.jpg

 

 

 

 

 

o povo saiu à rua

E eu saí porque precisava de caminhar e de ir à farmácia.

O tempo está agradável, o povo aproveitou este dia para comemorar o 48º aniversário da LIBERDADE, e da libertação das máscaras, era ver a 3ª idade a dançar aos pares o costumado bailarico de pátio da aldeia,e  que, nesta cidade, antes covid, os domingos eram para isso.

Sem Título.jpg

E mais à frente, junto ao Turismo, num palco da CGTP, um cantor cantava aquelas canções populares, como "Ó ferreiro casa a filha, não a deixes à janela, anda aí um rapazinho que não tira os olhos dela".

25 abril..jpg

E a verdade é que toda a gente cantava... E eu também ( enquanto pensava na minha falecida mãe que a cantava) quando descia a avenida, no regresso a casa.

 

 

É um Problema de Amor # 25 de Abril de 1974

Ontem, no Jornal da Noite da SIC, passou a reportagem sobre dez artistas que editaram discos antes de 1974,  e que "durante décadas, vários músicos escreveram e cantaram palavras de liberdade mesmo correndo o risco de acabar na prisão"

"Na madrugada de 24 de abril, há 47 anos, começava a mudança de regime político em Portugal, da ditadura para a democracia."

Foi uma reportagem de lembranças muitas, de cantarolar de canções, de reviver os rostos destes jovens que muito fizeram pela democracia através da música e das letras que cantavam. As histórias contadas das letras que eram  cortadas/proibidas; de a polícia intervir no recinto de um espectáculo e advertir o cantor de que não podia cantar; de o cantor sugerir que não cantava mas falava com o público. E assim a palavra era passada e as músicas eram cantadas não pelo cantor, mas pelo público, que as conhecia, de forma que a polícia não fazia nada.

 

Depois, passei para a RTP1,  passava o concerto "Agir - Cantando Abril". Um concerto de homenagem aos poetas e músicos que ajudaram a mudar o país. 

Não sou fã de AGIR, mas gostei muito de o ver e ouvir cantar as "canções de Abril." Um  bom grupo de jovens não só de instrumental e coro, mas também de convidados que nos mostraram outra forma contemporânea de fazer  música com as canções que nos deram a Liberdade.

Um rosto:

Sem Título.jpg

imagem daqui

Um poema:


CANTILENA

Cortaram as asas
ao rouxinol.
Rouxinol sem asas
não pode voar.

Quebraram-te o bico,
rouxinol!
Rouxinol sem bico
não pode cantar.

Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol!,
ta queira roubar.
Rouxinol sem noite
não pode viver.

Sebastião da Gama

 

uma música:

 

É um Problema de Amor. 

A nossa LIBERDADE é para sempre.

 

 

 

 

 

Liberdade

até 1974, a palavra liberdade não existia. Existia o dever à Nação, ao Estado,a Deus.

Jovem que era, vivi este dia na escola, do outro lado do quarteirão desta rua onde ainda vivo, quando por volta das 11:00h ,talvez mais, mandaram-nos sair da escola e regressar a casa,não sabíamos bem porquê, só cá fora, na rua, é que se sentia uma grande agitação, falava-se de um golpe de estado.

Coração apertado, a mãe agitada, via-se na televisão, ainda a preto e branco, as inacreditáveis imagens do Golpe dos Capitães, a Revolução dos Cravos.

Quarenta e seis anos de liberdade, interrompidos neste Abril por um vírus que nos fez parar da agitação que vivemos todos os dias.

A natureza, sofocada, libertou-se do mal que o homem lhe fez, quer a mesma  Liberdade, respira, agora, também.

 O mundo está frágil.

Saibamos respeitar a nossa Liberdade, respeitaremos a dos outros também.

Festejo este dia 25 de Abril de 2020, para celebrar 46 anos da Revolução dos Cravos, na Liberdade "enclausurada" da minha casa ( e porque adoro a praia, o mar, que são a minha Liberdade) com este  poema de Sophia de Mello Breynar.

 

Liberdade


Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

 

main-qimg-c556edd00787c0bb16b2484b6110c801.jpg

 

"a Liberdade está a passar por aqui"

Estava eu na escola quando a notícia saiu à rua, mandaram-nos para casa. Inacreditavelmente o povo receou que as notícias fossem falsas. 
E veio a Liberdade.

Nestes 45 Anos de 25 de Abril, o jornal O Minho publicou mais de cem fotografias do falecido e mais conhecido fotógrafo desta cidade de Braga, e que eu trouxe para aqui, em sua homenagem, também.

25-de-abril-em-Braga-8.jpg

25-de-abril-em-Braga-44.jpg

25-de-abril-em-Braga-82.jpg

25-de-abril-em-Braga-96.jpg

25-de-abril-em-Braga-110.jpg

25-de-abril-em-Braga-141.jpg

25-de-abril-em-Braga-149.jpg

25-de-abril-em-Braga-174.jpg

25-de-abril-em-Braga-196.jpg

25-de-abril-em-Braga-199.jpg