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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

fui à procura dos farricocos

Maria Araújo, 24.03.16

mas não os encontrei.

Em tempos, neste dia, quinta-feira santa, andavam descalços pelas ruas da cidade a agitar as matracas. Dava-me gozo ouvir aquele ruidoso som.

Passei pela Sé, os padres em fila, seguido em último pelo arcebispo, entravam na catedral cheia de pessoas para verem a cerimónia do lava-pés.

Hoje vou à procissão "Ecce Homo" ver os farricocos com os fogaréus e as matracas, já que não os vi durante a tarde.

Mas andaram por aqui, hoje de manhã. 

O tempo está de sol a noite vai ser fresca, mas sabe bem ver o centro da cidade cheio de gente. 
Gosto da cidade durante a Semana Santa.

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O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que percorriam a cidade. O confessor dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam à risca tal preceito. Ajudavam a iluminar as ruas durante os préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido durante este tempo especial. O som estridente das matracas, com o seu ruge-ruge era também sinal de penitência...
Entretanto, os farricocos foram-se aproveitando do seu anonimato para denunciar publicamente os pecados daqueles que não faziam penitência. O ambiente era, por isso, temeroso, e algumas pessoas recusavam vir às janelas, não fosse cair-lhes em cima alguma acusação.
Hoje, as procissões já quase não servem para penitências, mas o farricoco mantém-se como figurante primordial.
Dada a sua originalidade, é um símbolo da cidade e o artesanato cada vez mais explora esta figura e ainda bem! 

 

2 comentários

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    Maria Araújo 25.03.2016

    Conheci pessoalmente a Manu, uma simpática e linda senhora, com um blog onde publica lindíssimas fotografias, no almoço de bloggers em Lisboa.
    Penso que vem ao 3º encontro, no Porto.
    Golimix, também não sabia que vivia no norte e em Mirandela, que já não visito há alguns anos.
    Beijinho

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