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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

10.01.20

desafio de escrita dos pássaros # 17

Maria Araújo

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" Desafio de escrita dos pássaros"

# Tema dezassete - cantinho da casa

Luz e sombra


Acordou de repente. O corpo dorido da longa viagem que fizera pede mais uns minutos de preguiça. Vira-se sobre si mesma. Pára, aquieta-se.
No silêncio daquele confortável quarto de hotel, a luz da manhã que entra pelo estore da janela forma umas riscas de sombra no seu corpo. Observa esta perfeita harmonia. Sorri.
Ao mesmo tempo que os seus dedos percorrem as sombras do corpo, os pensamentos perdem-se no que fora até então a sua vida amorosa.
Tinha tido vários parceiros, uns mais cultos e bem formados , outros supriam alguma solidão, nenhum conseguira despertar esse sentimento do amor. Há muito que deixara os encontros casuais de meetic, de badoo, de tinder, que pouco ou nada lhe trouxeram de positivo . Mas enquanto não aparecesse aquele por quem o coração batesse forte, estava bem assim, solteira e livre.Também as constantes viagens que fazia não lhe dava tempo para pensar no amor. Mas sentia falta de calor humano.
Espreguiça-se, os braços ajeitam a almofada. O corpo pede mais uns momentos de descanso.
Vira-se de novo. Fica irrequieta.
A luz do dia fá-la sair da cama. A custo, levanta-se.
Aproxima-se da janela e evitando que a luz ofusque os seus olhos, espreita pelas lâminas do estore, quer ver como está o dia lá fora.
Olha o céu, olha o sol, olha o mar.
Tomar um bom pequeno almoço era importante, iria, depois, até à praia estender-se à sombra de um guarda-sol deste hotel em frente à praia, ler o livro, relaxar da viagem, perder o olhar no infinito, apreciar a elegância do vôo das gaivotas.
Umas pegadas na areia chamam a sua atenção. Pegadas de alguém que madrugara cedo, pegadas de alguém solitário.
Abre, então, a janela. O ar fresco da manhã entra pelo quarto. Respira fundo.
Dirige-se à casa de banho, toma um banho tépido, veste uma roupa prática. A manhã está por sua conta.
Já em direcção à praia, volta a olhar as pegadas. Pegadas de solidão que contam segredos, felizes ou infelizes, que ao mar e à praia pertencem.
O seu coração diz-lhe que deve segui-las.
A sua sombra projetada na areia fá-la sorrir. Como se de uma pista se tratasse, quer pisá-las, quer senti-las nos seus pés.
Ela quer que a sua sombra seja a primeira a chegar à última pegada que lhe pode trazer o desvendar de um mistério, quiçá um encontro com um alguém solitário.

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