Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

21.03.16

coisas de pessoas

Maria Araújo

635838442583478757-1884475029_1 coffee.gif

 

Tinha planeado ir ao ginásio de manhã, seguia depois para a nova loja Ikea com intuito de perder umas horas a ver, com calma, o que gosto: as cozinhas, as salas, os quartos,  as decorações.

Cheguei ao ginásio em cima da hora para ter a senha para a aula (se não for quarenta e cinco minutos antes da aula, às nove horas já não há senhas), convicta que não ia conseguir, saio, do elevador e, "surpresa!" , vejo uma fila pequena.  Uma das senhoras com quem, por vezes, tomo café, comentou :"hoje está pouca gente porque a professora D está de férias".

Já escrevi algures num post que deixei de ir às aulas de hidroginástica (passei a ir ao sábado, com um ambiente mais agradável) durante a semana, porque o ambiente, tenho que dizer isto, é reles.

Fala-se de de tudo, corta-se na casaca das pessoas, falam alto demais, não estão com atenção à aula, enfim, não faz o meu feitio conviver com este tipo de pessoas.

Adiante. Antes da aula, dirigi-me à casa de banho, estava uma senhora em fato de banho a lavar as mãos, sai outra da casa de banho e diz a primeira: "ó mulher, estás aqui?"

"Sim. Olha já fui mijar, vamos para a hidro?"

Depois da aula, a mesma senhora com quem tomo café, comentava que num dia da semana passada o ambiente estava tão foleiro, que o professor só não deu uma chapada a um senhor porque ele tinha idade para ser seu avô.

De facto, quem frequenta estas aulas são pessoas que andarão pelo setenta anos. Não têm a noção do que é estar numa aula, ou têm, mas por que são terceira idade devem pensar que merecem respeito dos mais novos, logo, que tudo lhes é permitido.

É, sim, uma falta de respeito para quem dá a aula que por vezes tem de elevar a voz para que eles o ouçam e estejam com atenção (escrevi sobre o assunto aqui )

Se eu fosse o professor parava a aula até que se calassem e quando o silêncio fosse pesado, sem proferir uma palavra, retomaria a aula como se nada tivesse passado. Garanto que eles percebiam e surtia efeito.

Fui ao Ikea, a loja que me dá imenso prazer ver tudo, tudo, comprei uns artigos, fui à máquina de pagamento self-service, entretanto, uma funcionária ofereceu-se para me ajudar, paguei. Eram duas e meia da tarde, estava cheia de fome, fui pôr as compras no carro, regressei para almoçar no restaurante Ikea. Comi um arroz de pato, bem cozinhado viam-se bons pedaços de pato semi esfiado, nada gorduroso (já comi pior em restaurantes).

Decidi dar uma volta pelo centro comercial, com bastantes lojas, todas mais do mesmo, à exceção de duas ou três novas marcas, subi à restauração para tomar café.

Aproximo-me do caixa para pedir um café, estava à minha frente um senhor acompanhado de uma criança. Do lado de dentro do balcão, duas funcionárias conversavam.

O funcionário da caixa pediu que tirassem o café para o senhor, chega a minha vez, pago, pede outro café... Uma das funcionárias tirava o primeiro café, continuava a conversar com a outra.  Pôs a chávena no balcão, quando, com a maior arrogância, o senhor diz:

- Isto é café que se tire! Eu pedi um café curto. Em vez de estar na conversa devia olhar para o que está a fazer!"

A funcionária ficou parva a olhar, pegou na chávena, deitou o café fora, foi à máquina e tirou outro café.

64943_315153528605070_1910211479_n.jpg

 

Quando o entregou, diz ele: "um café bem tirado deve estar um dedo abaixo da superfície da chávena. Antigamente as chávenas eram grandes e o café saía mais cheio, era o tipo café americano, mas agora que as chávenas são pequenas, o café, (repetia), deve estar um dedo abaixo da chávena. Não sei se me está a entender."

A funcionária olhou para a chávena e percebendo que o café estava curto demais, perguntou-lhe se queria que enchesse um pouco mais, ao que ele respondeu: "deixe estar, se põe mais café perde o sabor". E voltou a explicar "antigamente...", bláblá.

Entretanto, saiu do balcão, a outra funcionária dá-me o meu café. Quando olho para trás, estava uma longa fila de pessoas à espera que o senhor explicasse à funcionária como se tira um café.

Eu já estava a ficar pelo cabelos com a conversa e a arrogância dele. Quando se desviou do balcão, a funcionária diz-me com a maior descontração, própria de uma pessoa que está habituada a atender todo o tipo de clientes: "uma pessoa está sempre a aprender!" E eu sorri.

Na minha opinão, o senhor até podia ter razão pelo facto de as funcionárias estarem na conversa, mas foi servido, e se o café não estava a seu gosto, o que devia ter dito era: "desculpe, este café não está bem tirado, por favor tire outro", e ficava por aqui.

Quem está atrás do balcão atura cada uma!

6 comentários

Comentar post