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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

já não se ouvem os pássaros

Maria Araújo, 09.04.18

A escola básica do 1º ciclo aqui da rua, que estava fechada para obras há 19 meses, entrou em obras no dia 15 de Janeiro, as crianças estão "alojadas" em contentores num espaço do Agrupamento da Escola Básica do 2º Ciclo.

Antes de virem os guindastes, tivemos uma grande surpresa e decepção. As muitas árvores que circundavam o recinto e que faziam sombra para as crianças, que nos dias quentes as procuravam, foram cortadas. Deixaram apenas uma por trás da baliza no campo de jogos.

Não queria acreditar no que via, cheguei a pensar que deixariam as que ficavam mais afastadas da entrada, onde entram agora os enormes camiões.

Ora estas árvores eram o poiso dos pássaros que se deixavam ficar desde os primeiros dias de Primavera até quase meados do Outono, desde que o tempo se mantivesse quente, como aconteceu no passado ano.

Muitas foram as vezes que acordava com o dueto vocal, quando o dia começava a nascer, seguido de outros cantos "ao desafio"  que eram o deleite de quem acordava cedo.

As árvores já lá não estão. Estão as árvores deste lado da rua, junto aos prédios, as árvores que conheço há muitos anos e que fizeram parte da minha adolescência. E o largo passeio (reduzido uns anos mais tarde para dar lugar a estacionamento para os carros) que começava no início da rua e acabava mesmo em frente ao jardim deste prédio onde habito, ocupava metade da estrada, e duas delas,uma em cada ponta deste espaço maior, e o muro dos jardins, do prédio, eram o marco da baliza para os rapazes da rua, um deles o meu irmão que faz hoje 53 anos, jogarem a bola.

E nas longas noites de Verão brincávamos e jogávamos à bola no meio da rua.

Se há cerca de 3 ou 4 anos os moradores criticaram a Câmara por cortarem umas quantas porque as raízes levantavam as pedras da calçada, cortar as árvores da escola foi revoltante. Mas estavam dentro da escola, que poderíamos fazer?

Com o ruído das obras, não se ouvem os pássaros.  Nem sequer entrevia que pudessem voltar esta Primavera.

Ontem, a chuva era de mais, deixei-me ficar por casa. Em frente à minha janela está uma das árvores que fazia de baliza de futebol dos rapazes da rua, já com uma folhinhas verdes .

E vi dois pássaros.

Peguei no telemóvel. Foi impossível captá-los.

Já não se ouvem os pássaros da minha rua.

Espero que sejam estes os pássaros que cantavam em dueto e acordavam-me aos primeiros raios do amanhecer.

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a obra

Maria Araújo, 27.10.17

Desde manhã cedo, e prescindi das minhas aulas no ginásio, e até há cerca de meia hora, andei a limpar pó e mais pó.

A minha mão mexia no cabelo sentia-o áspero, parei as limpezas, e até porque o serviço não está completo, só arrumo as coisas nas prateleiras quando estiver acabado, fui tomar um banho de tão suja de pó me sentia.

Nunca imaginei que substituir uma porta fosse fazer tanto lixo.

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obras, ai!

Maria Araújo, 26.10.17

Mandei substituir a porta da divisão onde guardo os artigos de limpeza.

Está a dar muito trabalho acertar o azulezo, o pó que neste momento faz na marquise é demais. E a ventoinha ajuda a mandá-lo janela fora.

Ontem a empregada esteve cá ( o que limpa é quase nada, faço eu os serviços mais pesados), lá vou ter de andar a limpar a cozinha e a marquise, como sempre faço quando tenho obras em casa.

 

 

 

uma tarde de chamadas

Maria Araújo, 29.08.17

Desde as 12h00, e pela terceira vez às 16h20m, que ligo para um hospital nos arredores da cidade. É, também, a terceira vez que a ligação é passada para o serviço que pretendo, espero cerca de dois minutos e a chamada cai.

Ou o serviço não está a funcionar hoje, ou a funcionária da respectiva especialidade não está e não atende o telefone , fico sem conseguir marcar a consulta.

Entretanto, às 16h00 liguei para o senhor trolha que me fez algumas obras em casa, para saber quando vem tratar da obra na garagem.

O que seria para Abril, passou para Maio, deste mês passaria para mais tarde. Acordamos pintar a sala, feita em Maio,  o mais urgente e rápido, a garagem ficaria para mais tarde.

"Ah, e tal, pensei que estivesse de férias, estou muito ocupado, já sabe como é, obras, muito trabalho, um dia marcamos... Lá para finais de Outubro ligue-me. Tenho uma casa para acabar até ao Natal, está difícil".

Respondi que não vou esperar até ao Natal, que em Outubro posso estar fora; que é muito tarde; que quero a obra em Setembro; que ele prometera ligar-me; que se não ligo eu, ele não quer saber; que os portugueses são todos iguais: prometem e não cumprem; que não assumem a sua palavra, não sabem dizer sim ou não, a conversa é "deixe passar algum tempo, espere mais um pouco", e blá, blá, blá.

E fiquei de lhe ligar em meados de Setembro. É que não estou disposta a passar o mesmo que o vizinho do andar de cima que, desde há dois anos, tem as  paredes das varandas manchadas não sei de quê, porque ele, o senhor trolha, que começou o serviço para o isolamento térmico (capoto), interrompeu-o, e até hoje nunca mais pôs lá as mãos.

Também faz amanhã 15 dias que o electricista veio cá a casa para ver o quadro eléctrico e mudar os  disjuntores. Ficou de me ligar e até hoje não deu sinal.

A este não vou ligar.

Vem aí Setembro, vou procurar quem faça o serviço. Nem que tenha de ir à EDP pedir nomes de casas de electricidade com certificado para o fazer.

Um amigo meu, jeitoso para todo o tipo de obras e a quem liguei no início do mês, porque tenho uns serviços para lhe entregar, ficou de me dar sinal por esta altura.

Soube que, na semana passada, estava de férias. 

Não deu sinal. Mas entendo-o porque sei que está sobrecarregado de trabalho.

Aguardo notícias até ao final da semana. Vem o serviço na escola. Se não me contactar, lá vou ter de ser eu a chata, que detesto.

Setembro vai ser o mês de pôr mãos à obra  em tudo aquilo que eu não sei fazer e nem me atrevo.

São 16h54, vou tentar, mais uma vez, se consigo marcação de consulta.

17h05, ninguém atende.

Parece-me que vou ter de lá ir, pessoalmente.

Que tarde!

 

os meus livros andam pelo chão,

Maria Araújo, 11.10.15

 

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porque tenho de esperar que a massa seque e o trolha venha cá, faça o friso na parede e pinte.

Tendo o closet cheio de livros, caixas, o velhinho e meu primeiro computador que ainda imprime e faz o que quero, os quadros e fotografias empilhadas no chão, hoje, decidi pegar num pano húmido e limpar os livros cheios de pó, que o acidente causou, e pô-los no chão do meu  grande quarto para que, na 4ª feira, possa arrumá-los na estante e deixar o máximo que puder no seu lugar.

Fazer uma limpeza às pastas de arquivo, desfazer-me de alguns quadros que estavam guardados porque já não têm grande interesse e dar um ar renovado ao escritório, que, por vezes, era o espaço onde guardava, num dos cantos, merdas que deixava para numa qualquer altura dar ou  para a reciclagem.

Como detesto ter coisas a encherem-me os móveis, de vez em quando, vai tudo porta fora.

Entretanto, andava aqui a engendrar dar um toque moderno ao escritório, andei a ver o que poderia reciclar e encontrei no meu querido BuzzFeed, dicas para fazer e com fita adesiva.

Só tenho de procurar o que quero e seguir estas ideias bem giras.

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 Entretanto, vou pôr mãos à obra, isto é, mãos no pano e limpar os livros.