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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Fui visitar a Alice

Maria Araújo, 10.03.17

Dois meses e meio depois de visitar a Alice, hoje, voltei à Casa de Saúde.

Quando entrei no corredor onde fica a sala da Alice, estavam várias pessoas sentadas num banco, não vi quem eram, dirigi-me à porta quando ouvi uma voz atrás de mim que me chamava.

Olhei para trás e estava ela, sentada nesse banco, com mais duas senhoras.

Fiquei super feliz porque ela viu-me e lembrou-se do meu nome. Da primeira vez ela reconheceu-me mas não conseguiu dizê-lo. 

Uma das senhoras perguntou-lhe quem eu era. Respondeu que era uma prima.

Não me manifestei. Uns minutos mais, a senhora aproveitou  para despedir-se. E foi convicta que eu era prima da Alice.

Fomos dar uma volta pelo pátio.

Muitas famílias visitavam as raparigas e mulheres internadas. A Alice está lá há cinco meses.

Desde que cheguei até me despedir dela, nunca esqueceu o meu nome.

Mas ela não consegue lembrar-se das amigas que a vão visitar e quando vai contar alguma coisa, diz: " já não me lembro".

No nosso passeio pelos jardins, aproximou-se uma senhora. Baixa, curvada, aparentava uns 70 anos.

Abraçou a Alice.

E dizia que gostava muito dela. Abraçava-a e beijava.

E a Alice retribuia-lhe o carinho.

Às tantas, a senhora conta que costuma limpar o chão, sua tarefa diária.

Ao que parece, há umas quantas senhoras internas que fazem limpeza. Recebem um valor em dinheiro ( penso que deve ser uma pequena  retribuição para os pequenos prazeres delas) . 

Queixava-se, então, que não lhe pagaram o serviço. Pagaram às colegas e ela foi fechada numa sala onde lhe foi dito que lhe davam comida, não recebia dinheiro.  E queixava-se que era injusto trabalhar e não lhe pagarem. E que trabalha muito.

Perguntei-lhe o nome.

Alice, também.

E abraçava a minha amiga Alice e dizia: " Eu sou Alice e gosto muito desta Alice".

Depois perguntou-me o nome. Disse que gostava muito da Alice e se eu sou amiga da Alice, também gosta muito de mim.

Decidi pagar-lhes o lanche.

A minha amiga não quis, tinha lanchado com a amiga que a visitara.

A outra Alice disse que não podia ir ao bar, não tinha autorização de lanchar lá.

Perguntei porquê.

É interna desde os 15 anos. Tem agora 60. E estava ansiosa por sair dali. A família deixara-a lá e nunca mais quis saber dela. Não me soube dizer de onde é. Mas que é de muito onge.

Não fiz mais perguntas.

Dizem-me elas para lancharmos no café.

"Café?!" perguntei.

"Sim", responderam as duas.

Seguia-as.

Depois de passarmos a porta que dá acesso a um longo corredor, percebi logo o que era o café.

Duas máquinas, uma de café, outra de chocolates e sandes, era o café de todas as internas.

Ali ninguém controla nada. A outra Alice pode ter o que quiser, desde que tenha dinheiro.

Pedi que escolhesse o que quisesse.

Escolheu um pacote de cookies.

Meti a moeda de 1 euro. O pacote ficou preso.

Umas simpáticas funcionárias passavam perto, comentaram que com um empurrão aquilo caía. E  empurraram à máquina, mas o pacote não cedeu. Teria que pedir na recepção a devolução do dinheiro.

Disse à minha amiga para escolher alguma coisa.

Não queria. Aliás, ela nunca quer nada. 

Sempre foi uma rapariga de trabalho, honesta, humilde, divertida, a Alice.

Introduzo uma moeda de 1 euro e  carrego nas teclas com o mesmo número do pedido da outra Alice. Talvez o pacote preso caísse.

"Que bom", disseram elas. Caíram os dois pacotes.

Um pacote  para cada uma, a outra Alice agradeceu-me, deu-me um beijo e um abraço. Repetiu: " Gosto muito da Alice. Gosto muito de si " e seguiu por onde entraramos.

Eu e a minha amiga fomos corredor fora. Voltamos ao jardim.

A Alice vê a Ana, uma jovem nos 20, que estava com os pais.

Foi ter com ela.

Aproximei-me sem dizer nada. Ela olhava, desconfiada, para mim. E para a Alice, que lhe fazia festas no rosto.

De repente, a mãe fala do cabelo da Ana, que é bonito e muito comprido. Quando a senhora vai à carteira e tira o passe da filha que se via o cabelo mais curto, a Ana levantou-se e diz para a mãe: " Que nojo. Estás a ver porque não queria que guardasses as minhas coisa? Que nojo".

Afastou-se e foi sentar-se na relva de um dos canteiros.

Os pais foram ter com ela.

A Alice diz-me que é melhor irmos embora e seguimos na direcção da sala.

Despedimo-nos com a minha promessa que vou reunir o grupo de amigas e fazermos uma visita e um lanche nos jardins da casa de saúde.

Saí de lá com o coração apertado. Uma mulher cheia de vida, com Alzheimer, parece-me impossível.

Não sei se a Alice virá a sair de lá.

 

 

colocar o polvo na máquina de lavar????

Maria Araújo, 12.03.16

 

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Gosto polvo cozido, em arroz, à caçador, assado na brasa, no forno, à lagareiro,em saladas, enfim, gosto muito de polvo.

Para o almoço, decidi  fazer polvo cozido com batata. 

Andava por aqui a ver outras receitas e de repente, lembrei-me de procurar  os métodos que existem para que o polvo não fique tipo pastilha elástica. Encontrei os que já conhecia, mas desconhecia este: 

- Coloque o polvo dentro de um saco plástico e passe o rolo de cozinha

Agora este,  ahahahah!

- Colocar na máquina de lavar roupa na parte da centrifugação.

 

E estes comentários não podiam estar melhor:

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a zara home

Maria Araújo, 13.01.16

tem uma capas de almofada que eu gosto, mas não há o par.

estive tentada a comprar um par de cor diferente, mas poderia não gostar, lembrei-me das rendas que tenho guardadas e foi quando comentei com o meu decote "tenho rendas feitas por mim que já tiveram uso, porque não adaptá-las às capas que tenho?"
também sou fã dos folhos em renda e bordado, há que ir à retrosaria.

não tenho máquina de costura, isto é, a máquina que existe cá em casa, que era da minha mãe, está parada há mais de 30 anos, nunca me atrevi a mexer nela, pelo que, estas pequenas coisas faço à mão.

 

 

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No horizonte

Maria Araújo, 26.11.14

Como sempre, manhã cedo, a minha gata vai para a porta do quarto soltar os seus miaus de mimo porque quer comer. Mando-a calar e tento dormir mais um pouco.

Insistiu. 

Levantei-me, chego à cozinha e vi que através dos vidros foscos das grandes janelas da marquise, uma luz vermelha, linda, chegavam aos meus olhos ensonados.

Pus a ração de comida no prato da gata, fui à sala de jantar, peguei na máquina fotográfica, puxei o estore e tirei a foto.

Estava um vermelho lindíssimo, que não consegui captar com a minha máquina mas, mesmo assim, cá está:

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de regresso e de partida

Maria Araújo, 26.08.14

Partida estou com as noitas muito mal dormidas do fim de semana em Baiona.

Pensais vós que andei na noite?

Não ( quando têm alguém que dorme na cama ao lado e ressona a noite toda, o que fazeis?).

Jantar às 23horas, umas boas tapas e uma excelente paella, um vinho a acompanhar, conversa e risadas entre mulheres, foi um fim de semana para repetir, claro.

Mas a vontade de beber um copo num qualquer bar, e depois de uma boa refeição, era escassa. Então, regressavamos ao hotel.

Há cerca de 25 anos que não ia às ilhas Cies. Ontem foi o dia de (re)ver.

Enquanto 3 irmãs, minhas amigas,  ficaram na praia, eu e a minha irmã fomos ao forte.

Duro, subir 3,5km com terreno íngreme.

Mas foi óptimo (hoje estou partidíssima).

Como podem calcular, tirei imensas fotografias da nossas estada. Mas aconteceu uma tragédia.

No domingo, com uns restos de pôr-do-sol no horizonte, tirámos umas fotos até que, "shit", a máquina avariou (não sei o que se passa que avaria tudo o que é novo, aqui, nas minhas mãos).

Fiquei possessa. Uma das minhas amigas queria tentar empurrar a lente, mas eu dizia que não devia mexer na máquina porque a responsabilidade é minha e só eu devia fazer o que entendesse.

Mas nada levou a lente ao seu lugar.

Então, nas ilhas, recorri ao telemóvel para captar as belas paisagens do nosso Atlântico (o cabo USB do telemóvel também está avariado, não posso passar as fotos para o pc). Mais uma a chatear.

Fui hoje à loja onde comprei a máquina fotográfica. Aconselharam-me a recorrer ao seguro porque a máquina levou uma pancada (e eu que tenho tanto cuidado com as minhas coisas).

Fiquei tão chateada, tão zangada por ter de resolver este assunto por mim (já contactei via telefone e e-mail)."shit".

De regresso de Baiona,com um lindo tempo de outono por cá,  estou agora de partida para Madrid, sem a minha querida máquina.

Eu sei, tenho a velhinha, mas o cabo USB desta também não dá.

Resta-me uma solução: pedir a máquina fotográfica à Sofia.

E as minhas fotografias estão lindas!

Lá vou ter que andar aqui a explorar...

Maria Araújo, 12.08.14

 

 

Já escrevi aqui que o meu pc foi  para a limpeza e manutenção.

Ora o computador veio com o word 2013 o que está dar-me um transtorno com as imagens uma vez que, quando quero recortar alguma foto e/ou imagem, abre como visualizador de fotografias do windows, não dou com a coisa, para fazer dela o que quero.

Com a versão anterior, copiava, guardava, abria, cortava, enfim, fazia o que me apetecia, na minha opinião mais prático para quem não tem grande domínio nestas tecnologias, e o que sei aprendi sozinha, mexendo, explorando, tentando, conseguindo.

Agora, não atino com nada.

Ontem, aqui em destaque, obrigada equipa do Sapo, vi-me grega para conseguir publicá-lo. Depois de muitas tentativas, só pelo word consegui lá chegar mas a imagem não abria.

Então, peguei na máquina fotográfica e "click", foi a solução. Guardei na pendrive e, há pouco, no tablet, consegui enviá-la e fazer o seu upload em fotos Sapo.

Está, agora, na barra lateral em "destaques Sapo".

Pronto, é isto. Lá vou ter que andar aqui a explorar o novo Windows.