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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

"Ó professor..."

Maria Araújo, 27.01.15

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Terça-feira, o dia que não costumo ir ao ginásio.

Ficar em casa é para me perder aqui no computador e nem sempre tenho paciência para isto, além de que me canso.

Hoje de tarde, decidi ir à aula de Zumba.

Quando a música/dança acaba, o professor explica os passos da música que vem a seguir. Numa delas, diz uma senhora, assídua em todas as modalidades: "Ó  professor, essa música não. Ninguém gosta dela. É muito movimentada, barulhenta, não ponha essa música."

O professor justificava que nem todas as pessoas gostam de música latina, outras de hip hop, por isso seria normal muitas outras não gostarem da dita.

A senhora, que tem um vozeirão que mexe o ginásio, insistia para não pôr a música.

De repente, uma jovem que eu nunca vira por lá, diz : "Professor, ponha essa música. É ela que me faz vir".

Eu desato a rir, como todas as que ouviram e comenta a senhora  do vozeirão: " a língua portuguesa é que nos leva a estas malícias. A moça disse isto com naturalidade" e  diz ao professor "pronto professor, ponha lá a música que faz vir esta menina".

Não era ainda a vez da dita música. Depois de duas coreografias, lá veio ela... É, de facto, barulhenta, movimentada, tem muitos saltos, mas é DEMAIS!

 

Ela sabe o que faz

Maria Araújo, 05.01.15

Para começar o ano em forma e por que estive três meses e meio quase inactiva devido à fractura do pulso, tendo a permissão do ortopedista para fazer todo o tipo de exercícios, fui na passada sexta-feira fazer alguns exercícios de cárdio (fiquei com uma dor de pernas, mas passou), ontem fui caminhar cerca de 8 km e hoje, dia de o professor que fez o meu plano, estar no ginásio, decidi substituir a aula de Pilates pela de cárdio,  pois queria que ele me indicasse todos os exercícios de abdominais a fazer.

Fiz os exercícios nas máquinas, que já conheço, com o peso que ele marcava e eu reclamava que era demasiado alto e não aguentava, mantinha-se vigilante à minna performance. "Devagar, chego lá", dizia eu.

Depois disto,lá consegui fazer os abdominais ( custa, mas chego lá), marcou-me mais dez minutos de passadeira, dez de bicicleta e dez de step ( e eu com horas para fazer o almoço).

Estava eu no step quando veio perguntar-me se queria fazer 15 minutos de FLEX.

Já tinha feito ABS, mas FLEX, não. E fui.

Custa esticar as pernas! No body balance trabalhamos todas as partes do corpo e o equilíbrio e quando o professor aproxima-se de mim e puxa-me as pernas e dou um "ai, professor!", cheguei à conclusão que com os quatro meses sem o body balance, perdi flexibilidade.

Entretanto, já havíamos começado o FLEX, uma senhora com cerca de 65 anos, uma habitué do ginásio, cheia de genica, muito exercício, um corpo magro, perfeito, sai da aula de Pilates e entra no ginásio pega no tapete, estende a toalha em cima e acompanha-nos.

Num dos exercícios que tinhamos de esticar a perna com a toalha na ponta do pé e agarrada pelas mãos,  puxá-la e levar o pé o mais possível ao ombro, ouço o professor dizer "não é preciso tanto, isso é batota", olho para o meu lado direito e vejo a senhora com a perna completamente esticada e o pé juntinho ao ombro.
"Bolas!" comentei. E os cavalheiros riam-se e "ficavam cheios de inveja" porque, como eu, não chegavam lá.

Excelente desempenho, o da senhora.

Acabados os 15 minutos de FLEX, comentei com a senhora e o professor "a senhora tem uma flexibilidade fantástica!"

E diz o professor : "são muitas horas de ginásio, muito treino. Um intervalo, come uma banana, volta ao ginásio, faz outro intervalo, come um iogurte. Ela sabe o que faz" (na verdade, cumpre as regras da nutrição, pois a senhora leva um bom lanche para o ginásio e vai comendo, como eu devia fazer, regras da nutricionoista, e hoje esqueci-me de o levar) e continuou: "E tu, uma hora no ginásio, todos os dias, vais ver como ficas como ela". (ahahahaha,)

Lá fui fazer mais 6 minutos de bicicleta, o tempo urgia para vir fazer o almoço e lá estava ele, o professor, a controlar-me : "Vá, vai embora, por hoje é tudo".

Mas que gostei, gostei. Nem dou conta de o tempo passar (tenho de começar a levantar-me mais, se possível  para ir a pé e enquanto o tempo estiver de sol,  para o ginásio).

 

3 de janeiro

Maria Araújo, 08.01.13

Primeiro dia de aulas de 2013.

Dez minutos depois de a aula começar, sumário registado no quadro, observa a professora para um aluno do 6º ano:

P - Então R. não tiras os livros da mochila?

R- Ó setôra, tiro já.

P- O sumário está escrito, os teus colegas já começaram a trabalhar e tu tens a mochila em cima da mesa e fechada?

R.  encolhe os ombros e comenta: - A professora deu-me 2 no final do período.

P- Tiveste 2 porque as tuas notas não chegaram à positiva e o teu comportamento é fraco. És um aluno capaz, se quiseres tiras positiva a todas as disciplinas. Mas para isso, tens de melhorar a tua aitude.

R- Ó professora, eu não gosto da escola.

P- Não gostas da escola, mas tens de cumprir a escolaridade obrigatória. Que esperas da vida, do futuro?

R- Ó professora, eu não espero nada da vida. Eu não preciso de trabalhar. Para ganhar dinheiro basta apostar nos jogos online.

(De referir que o aluno é obeso e dissera, noutras alturas, que não gosta da escola. Gosta de dormir, comer e ver televisão).

 

 

Jô Soares

Maria Araújo, 12.03.10

Curiosa esta definição de PROFESSOR


 

 

Jô Soares, a propósito da profissão
 
 
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!

É jovem, não tem experiência.

É velho, está superado.

Não tem automóvel, é um pobre coitado.

Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.

Fala em voz alta, vive gritando.

Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta ao colégio, é um “Adesivo”.

Precisa faltar, é um “turista”.

Conversa com os outros professores, está “malhando” nos alunos.

Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó do aluno.

Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.

Não brinca com a turma, é um chato.

Chama a atenção, é um grosso.

Não chama a atenção, não se sabe impor.

A prova é longa, não dá tempo.

A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.

Escreve muito, não explica.

Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala correctamente, ninguém entende.

Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.

Elogia, é debochado.

O aluno é retido, é perseguição.

O aluno é aprovado, deitou “água-benta”.

É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,

agradeça a ele.