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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

"Vou ali e já venho" - o fim

Maria Araújo, 22.05.20

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Sim,tudo começou com um casamento,em Setembro de 2019, um desafio de escrita em que o primeiro tema foi "problemas, só problemas!" E que problema quando a seguir a "o amor e um estalo", pedem-nos "uma aventura que te marcou", e a "Beatriz lhe disse que não. e agora?! " enquanto esperava na "fila para o Purgatório, estava o Hitler à sua frente", deu-lhe ela tanga com a história de " o amor, uma cabana e um frigorífico!" engatando com "a Constança precisa de uma máscara capilar", foi à mercearia e em vez da máscara, encheu o frigorífico de compota de abóbora com amêndoas que a empregada, a mando do patrão, a convenceu a comprar.E conseguiu o lugar no Purgatório!

Depois de comer umas quantas tostas de compota, lembrou-se das compotas da avó, deu-lhe a saudade, abriu o diário e escreveu: "Uma carta à Criança que foste". Levada pela emoção, adormeceu. E sonhou que encontrou um sapo e lhe disse " acordaste nu numa ilha deserta, mas não te lembras de nada", mas ele só se lembrava de gritar de alegria, " já chegámos! já chegamos!"
Entretanto, ele pediu-lhe que contasse, mais uma vez, aquele que foi "Um belo dia na tua família na perspectiva do teu animal de estimação" mas sempre que começava, lá fora, os pássaros cantavam muito alto, nem poderiam imaginar que o Coronavírus iria pô-los a cantar muito mais alto, ao ponto de ela dizer: "Aqueles pássaros não se calam!". E diz ele:"Reescreve o final um filme", ao que ela respondeu: "Não nasci para isto!"
O tempo ia passando velozmente,estavam perto do Natal, tinha de montar a árvore, quando à hora das notícias ouviu: " O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana". Alarmada com o que ouviu, comentou " não há Pai Natal?!", e mimimi para aqui,mimimi para ali, o velhinho das barbas brancas foi alvo de critícas " Sobre a sua vida adulta, e ninguém entendia o que era para fazer" até que entre "Luz e a sombra" chegou-se ao fim da jornada das dezassete semanas.
E quando  pensava que a missão estava cumprida, eis que vem a segunda dose, por dez semanas.
Ela pensou dizer "não tenho tempo para vos aturar", porque "acho que a coisa não vai correr bem".
Entretanto, um perigoso e mortal vírus invadiu o seu planeta, todo omundo foi obrigado a ficar em casa dois meses. Foi uma dureza!

Mas agora que a vida parece voltar à normalidade,  só lhe apetece dizer: " vou ali e já venho".

continuo por casa

Maria Araújo, 21.05.20

saio para ir às compras,ou para ir ver o meu sobrinho neto, que vive a  poucos metros de minha casa, percebo, nestes pequenos percursos, que  muitas pessoas arranjam pretexto para sair de casa,. 

pois hoje, queria ir ao mercado municipal, que ainda funciona provisoriamente perto da Câmara Municipal, estava indecisa, ainda não me sinto à vontade para enfrentar as pessoas. e não fui.

depois, pensei ir ao cemitério, a pé, mas com o vai, não vai ao mercado, já não era muito cedo, e tendo em vista que o horário do cemitério, com esta situação do coronavírus, fecha às 12h30, tinha de me despachar, resolvi ir de carro .

comprei flores, não havia círios, não tinha troco para pagar,  assim como a florista também estava sem moedas, fui  ver o que tinha, faltavam cinquenta cêntimos, deixei as moedas todas, e sendo cliente há anos, " paga para a próxima" disse.

saía do cemitério, em direcção ao meu carro, estava perto deste um homem, que supus ser imigrante de leste,  que mandava umas bocas às mulheres que passavam, tipo" boa mulher!". não dei importância. mas quando me aproximei para pôr as coisas na mala, diz ele:  "há muitas mulheres boas por aqui".

continuei na minha, e quando abri porta, diz ele" dê-me alguma coisa"

respondi que não tinha moedas,insistiu, disse-lhe que não tinha nada, que ficara a dever dinheiro na florista. ele deixou-me em paz.

mas neste entretanto, fui absorvida por uma voz feminina que falava muito alto, dizia palavrões, insultando quem estava com ela.

como é óbvio, a tendência é para olhar para a pessoa. a mulher estava acompanhada de dois homens, saíam do cemitério, os palavrões eram dirigidos ao homem mais novo. este, mais à frente. parecia querer fugir,com vergonha, dos olhares de quem a observava. 

pelo teor da conversa, presumi que algum familiar teria falecido, falariam de interesse/ herança?, porque ela dizia, com palavrões pelo meio, que ele só queria dinheiro, e ele resmungava com ela, que não. e ela dominava a conversa com insultos.

esta gente parecia ser pessoas de classe média baixa ( com um bom carro), mas a linguagem dela deixou muito a desejar, não só porque estava na rua e havia pessoas por perto, mas sobretudo porque estava a sair de um lugar sagrado, de culto, de respeito.

e eu não atino com estas discussões nestes lugares.

no percurso para casa, verifiquei que são muitas, mas muitas, as pessoas que andam na rua como se o coronavírus fosse algo que acontecesse lá longe... algumas com máscaras, outras não.

e eu continuo em casa. mas tenciono ir ver o meu sobrinho neto que esteve com os primos, na praia, chegou hoje de manhã.

 

 

 

 

a liga

Maria Araújo, 19.05.20

ontem,ao telefone com uma amiga, conversamos sobre o vírus, o tele trabalho, as notícias.

e sobre estas, confirmamos que já não conseguíamos ouvir a toda a hora, em todos os canais o tema covid-19. comentou que vira um programa com os comentadores de futebol e o que antes a irritava, foi um alívio ouvi-los. 

os jogos da Liga vão voltar, a luta pelo primeiro lugar está aí, assim como o terceiro e quarto lugares.

estava a dar uma olhada às notícias, deixei-me ficar a ver e ouvir sobre o regresso do futebol, agora com os estádios vazios.

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passavam as imagens dos treinos em grupo, primeiro falou-se do FCP, a seguir do SLB e quando esperava que falassem do SCB, em terceiro lugar na classificação, não, falou-se do SCP.

não consigo perceber isto.

bem, foi um desabafo,até porque deixei de dar importância ao futebol!

mas irrita-me