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Conta-me como foi

por Maria Araújo, em 19.04.09

Mais um episódio que acabei de ver sobre esta série magnífica, mais pelos autores que o seu conteúdo.

O episódio de hoje fez-me rcordar muito da minha adolescência.

O anúncio na TV em que o pai-peixe, fala para a mãe-peixe, que falam de peixe, e passa o filho-peixe e a mãe diz "vai para a escola", ao que o pequenote-peixe diz "peixe congelado, alegria no cozinhado". Lembro-me de cantar isto quando via o anúncio, rsrsrsrsrsrsrs.

Depois a conversa dos rapazes no quarto, sobre o ratinho branco que o Carlitos tinha na caixa de sapatos, onde se via o poster de "Bonanza" , com Lorne Greene em grande plano.

Grande "Bonanza" a série que cativou e apaixonou os portugueses e as miúdas como eu. Não perdia uma série nas tardes de Sábado.

O casal Lopes, sempre unido, que a pouco e pouco vai cedendo às modernices dos filhos.

A filha que vai fazer o que chamamos agora de "casting", com um realizador de cinema, em casa dele. Os dois, sozinhos, uma música francesa suavemente cantada fizeram-me lembrar Jane Birkin , Godard e Truffaut.

Mas o destaque da série de hoje vai para o Dino e a Tina.

Ele calista, desaparecido e pondo todas as pessoas do bairro preocupadas, ela a mulher do bar "Eden" servia os cliente e fazia-lhes companhia.

Dino , depois de confessar a António que o seu desaparecimento devia-se à paixão de tinha pela Tina, leva-o  ao bar, coisa que este não aceitava entrar por ser um lugar impróprio para um homem como ele. Cedeu.

António estava indignado por o seu amigo se apaixonar por uma mulher de bar. Mas, bom coração e compreensivo aceitou a decisão de Dino. Que poderia ele fazer?

Mas o pior foi quando ela, Tina, elegantemente vestida com um tailleur vermelho, e a cabeça coberta com um lindo véu em renda de tom castanho, (como eu adorava esses véus, quando era miúda.Tive alguns em branco, renda fininha com flores pequenas, muito discretas, próprio para meninas ainda virgens),  foi pedir opinião ao padre. Tendo ela um filho, solteira, e trabalhando num bar, que não era aceitável pela sociedade, a honestidade e humildade levou-a a aconselhar-se com este representante da Igreja.

O padre foi compreensivo até ao momento em que ela diz que o homem com quem ia casar-se era o Dino.

Embora não sendo directo, foi suficientemente perspicaz  em não lhe dizer para não casar, mas em chamá-la á razão sobre o trabalho no bar, as pessoas, a sua consciência.

"Pensa", foram as palavras.

E ela não pensou muito. Fez o que muitas mulheres com dignidade, mas profissões pouco aceitáveis na época faziam. Partiu para a terra com o filho.

Ele, Dino, ficou destroçado, descarregando a sua ira no padre.

Quantos casamentos não se realizaram, quantos casamentos foram destruídos por palavras mal ditas?

Hoje os tempos mudaram.

Hoje, trabalhar num bar ou numa discoteca é uma profissão como qualquer outra.

Hoje, trabalhar num bar é, na maioria dos casos, feito por jovens,  ainda adolescentes que precisam de  uns trocos para as suas pequenas coisas e que  os pais não podem dar.

Hoje qualquer mulher é digna de casar com o homem que ama sem ter de pedir a opinião do padre.

Foram  estas pequenas situações que o mundo sentiu o quanto a igreja ficou aquém da evolução da sociedade.

 

 O casal Lopes

 

 

 

 

Jane Birkin

 

http://my.opera.com/E.%20Driver/blog/listen-to-les-dessous-chics-by-jane-birkin          

 

 

 

Truffaut

 

 

 

Godard

 

 

 

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