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Conta-me como foi

por Maria Araújo, em 29.03.09

A série dos Domingos na RTP1, continua a ser uma das  séries que me prende em frente ao televisor.

A ternura  das palavras e actos com que  a família tenta resolver os problemas e as dificuldades, as brincadeiras do miúdo, que tentou enganar o Snr. Camões com uma nota de papel de 20$00;a facilidade com que se assinavam os documentos, confiando na boa fé do patrão, sem os ler(ainda hoje acontece, infelizmente); a semana Inglesa, que foi pedida pela funcionária, para poder visitar os pais ao fim de semana (agora com os centros comerciais e os hipermercados,  trabalha-se horas a fio, sem perdão).

Há quantos anos deixou de haver a dita semana Inglesa?

Mas o meu destaque foi hoje para a viagem que a família fez à aldeia do chefe de família.

Levavam malas até dizer basta! O banco de trás, levava quatro pessoas.

Conduzia-se sem cinto de segurança, pegavam-se os irmãos, ralhava o pai com o seu tom de respeito, e todos se calavam.

Depois a vista da aldeia, de longe. Um lugar tranquilo, lembrado pelo casal.

Tudo na mesma. Tudo como antigamente. Tudo parado  no tempo.

Bela paisagem!

 

A cena do carro com toda a família atrás, fez-me recordar  as minhas idas ao Luziamar.

Na altura o meu pai havia-me dado um Austin 1100, com a matrícula SN-57-33, carro que tinha sido dele e mais tarde do meu irmão. Como este comprara um carro  novo, entregou o Austin e o meu pai decidiu dar-mo.

As noites para o Luziamar eram agradáveis, mas no regresso, já de madrugada, a malta só queria vir comigo.

Eu não bebia bebidas alcóolicas  e eles,jovens não tinham carta de condução, nem idade para conduzir.

Uma bela mas fria noite de Verão decidi meter no carro 8 pessoas.

Lembro-me que à frente vinha o meu irmão mais novo e uma amiga. Atrás, vinham a minha irmã mais nova, três amigas e um amigo comum. Todos adormeciam, mal entravam no carro.
A zona entre  Viana do Castelo e Barcelos costumava ter muito nevoeiro àquela hora da madrugada.

Uma viagem para Viana demorava cerca de 1 hora, naquele tempo, no regresso demorava quase o dobro.

Por vezes, não se via um palmo à nossa frente.

Eu conduzia muito devagar. De vez em quando, a moça que vinha à frente acordava e dizia "está um nevoeiro cerrado!" .

Tentava falar comigo para eu não adormecer. Mas eu nunca adormecia.

Os pais deles confiavam em mim. A responsabilidade era minha.

Foram belos esses tempos.
Não usávamos cinto de segurança. Metíamos no carro quem quissesse regressar. Poucos ficavam por lá.

Felizmente, nunca houve acidentes...Mesmo aqueles que bebiam e conduziam.

Quem pudesse "fugia" para o meu carro. Era mais seguro... A condutora!

 

 

Um dia editarei uma foto do meu primeiro carro.

 

 

 

 

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8 comentários

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De Carlos Pereira a 06.04.2009 às 01:28

Os leitores deste blog poderão saber mais sobre a aldeia que serviu de cenário ao episódio especial da série na Enciclopédia Memória Portuguesa: http://terrasdeportugal.wikidot.com/castro-laboreiro
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De Maria Araújo a 06.04.2009 às 13:12

Obrigado pelo endereço que me enviou.
Vou lá espreitar.
Ano passado passei férias em Melgaço, e só não fui a Castro Laboreiro, porque não foi possível.
Ontem não vi o episódio porque jantei fora de casa.
Obrigado pela atenção.

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De swt a 31.03.2009 às 19:18

tenho profunda admiração pela pessoa que adaptou a série à realidade portuguesa. Notável! Lembra-se de tudo! Daí já ter percebido que muita gente quer adquirir a série em DVD, porque,sem dúvida, a maioria de nós, embora tenhamos vivido esses tempos, não saberia contar tão bem a nossa história!
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De Maria Araújo a 31.03.2009 às 22:35

Olá.
Já pensei em comprar a série em DVD, talvez mais para o Verão.
De facto faz-nos recordar muito do que está esquecido.
É uma grande série e os actores são óptimos.
Beijinho

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De Paulo Lontro a 30.03.2009 às 09:58

Tenho historias semelhantes com um Passat 1300.
Lembro-me do dia em que o meu pai, na recta da serra dos candeeiros, deu 165 Km/h pensei que nunca mais iria andar aquela velocidade. Lembro-me ainda de sair de madrugada de casa no Porto para poder chegar ainda com luz ao algarve, o almoço era invariavelmente no Manjar do Marquês que se situava na bomba de gasolina do Pombal.
Adorei este post.
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De Maria Araújo a 30.03.2009 às 14:16

O Manjar do Marquês!
Quantas vezes parei lá, quando ia a Lisboa na Mundial Turismo. Naquela altura era mais fácil ir de camioneta que de combóio.
De carro não ia, porque ia sozinha.
Paragen obrigatória lá ou num outro, penso que uns quilómetros mais à frente.
Nessa altura eu não ia para o Algarve com os meuis pais, porque já era adulta, queria gozar as férias como me apetecia, mas os meus irmãos mais novos iam com eles, e saíam bem cedo para chegarem de manhãzinha.
A aflição em saber se chegavam bem...E não havia telemóvel.
O meu pai costumava pôr, depois das férias no Algarve, o atrelado, como nós chamavamos, no Cabedelo ou em Caminha.
Se esse atrelado falasse...!
Obrigado pela visita ao meu blog.
Beijinho.
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De * * Grilinha * * a 29.03.2009 às 23:54

Foi mais um episódio que tb me fez recordar a juventude.

As viagens até Alpedrinha no Austin A40.

A construtora e as trapalhadas do engº só me lembram o "J Pimenta" onde trabalham alguns tios meus e que ficaram aflitos com a falencia da Empresa.

Só nos falta ver o anúncio na Tv "Pois, pois J Pimenta"

Boa Semana
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De Maria Araújo a 30.03.2009 às 14:09

Olá, Grilinha. Seja bem-vinda!
Todos os dias vou visitá-la ao blog, mas como não tem escrito nada, deduzo que está em descanso.
Fiquei contente em a "ver" por aqui.
E...quem não se lembra do J.Pimenta?
Há certas pequenas coisas que são lembradas com muito carinho.
Esta séria da RTP1 emociona-me, não só pela óptima representação dos actores, como pelo conteúdo das histórias.
Á medida que vou vendo, vou lembrando a minha adolescência.
Belos tempos,não pela dificuldade mas porque eramos livres, brincavamos até altas horas da noite, os perigos eram muitos, nas brincadeiras, mas minimos na sociedade.
Beijinho

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