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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Ele há cada uma!

Maria Araújo, 01.08.13

Este prédio tem dois toques diferentes da campainha. Um mais forte se alguém toca da porta do prédio, o outro, mais grave, para cada um dos apartamentos. E são iguais para todos os andares. Há um intercomunicador para a porta do prédio.

21:40h, fui fechar os estores.

A campainha da minha porta toca. Não abri a porta e perguntei de dentro "quem é?"

Responde-me uma voz forte de homem. Não entendi o que ele dizia e ao mesmo tempo que espreitava pelo óculo, perguntei: "O que deseja?"

A voz do outro lado, bateu com os nós dos dedos na porta para que eu a abrisse e perguntou: "a senhora tem uma chave de parafusos que me empreste?"

Estava sozinha em casa, ninguém no prédio foi de férias, há homens dentro de casa e veio ele tocar à minha porta?

Achei estranho. Provavelmente, teria tocado nos outros apartamentos e ninguém lhe respondeu (o que eu costumo fazer quando estou sozinha em casa, por vezes, até com os miúdos). Respondi: "não tenho".

Palavra que eu disse. O homem desata escadas abaixo " não tens filha da p*#&»? Olha-me esta filha da p"*$# não tem.  Que c*%#"@! de p*=&".

Nem palavras tinha para partilhar com o meu decote, de tão palerma que fiquei.

Fui à janela, abri suavemente o estore e espreitei.

Lá fora, estava um furgão.

O homem, bateu com a porta do prédio e falou: "ninguém abre a porta".

Vi outro vulto masculino sair do furgão. Ao lado da viatura estava um carro branco.

O carro não funcionava.

Os dois homens entram no furgão e descem a rua.

Reagi comigo própria: "Homens destes devem tratar as esposas e os filhos de p:&*, c#%*"*?» e muito mais. Tenho vergonha do que ouvi. Machista!"

Depois de lavar a loiça, fui à janela. Estavam lá os dois homens, junto ao carro branco.

Agora, já se foram.

Sempre que toca a campainha cá de cima, fico de olho atento e ouvido alerta.

 

 

 

 

 

 

 

 

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