Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

cantinho da casa

cantinho da casa

Dom | 09.10.11

Sexalescente

 Porque tenho pensado seriamente na minha vida, no tempo que voa, na idade que passa, nas "mazelas" que o corpo vai sentindo, continuo a dar tudo o que posso de mim para que a mente não vacile (com esquecimentos normais á idade).

Por vezes, na rua, dou comigo a reflectir na forma como me visto, no corte de cabelo que continuo a usar desde jovem, com algumas nuances modernas, do estilo, uma trança fina junto às orelhas, e presa com por debaixo do cabelo (tenho imenso cabelo que, se não for penteado no cabeleireiro, por mais que tente esticá-lo, fica com muito volume, daí ter aderido aos modelos mais jovens, para que este pareça menos volumoso),penso no que devem pensar as pessoas que me conhecem: "será que aquela pensa que é uma jovem?"

Junto da família e amigas pergunto-lhes o que pensam do meu estilo. As opiniões são positivas e gosto de segui-las.

No tempo da minha mãe, aos 40 anos de idade, vestia-se roupas pesadas (a minha mãe vestia bem),  o cabelo era curto e "armado" e eu achava que nessa idade as pessoas eram velhas, embora a minha mãe tivesse um ar jovem.

Quando cheguei aos 50, senti que afinal ninguém é velho e, nos tempos atuais, com a grande variedade de roupa e calçado práticos, observo  que as jovens de 20 anos vestem roupas mais pesadas e sofisticadas, enquanto que as mulheres maduras procuram roupas simples e elegantes. Eu própria,  entre os 20 e 30 anos vestia roupas com modelos mais adequados às mulheres de 40. Quando vejo as fotos, pergunto-me :"porque as jovens têm tendência em seguir este estilo? Será que "passarmos" da adolescência para a idade adulta  queirámos sentir-nos mais mulheres?"

Hoje, aos 50as, ainda tenho coragem para vestir roupas jovens e adequadas ao meu corpo.

E esta pequena introdução leva-me a um e-mail que recebi da jovem Emília, deste blog.

Achei simpático e muito interessante e destaco o que penso ser a verdade das mulheres maduras de hoje.

Obrigado Emília, pelo bonito texto que enviou.

 

 

 

 

  VIVA!!!!!!!!!!!!!!!!! EU   SOU   UMA   SEXALESCENTE !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

                                   

                                                                 

 -------------concordo com muita coisa escrita neste texto-------------e adorei o termo sexalescente (palavras da Emília).

 

Fazer 60 anos no século XXI.

Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova franja
social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os
sexalescentes : é a geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque
simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em
meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que
deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que
até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.

Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta teve uma vida
razoavelmente satisfatória.

São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que
conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante
décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a
actividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida.

Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em
reformar-se. E os que já se reformaram gozam plenamente cada dia sem medo do
ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na outra. Disfrutam a
situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos,
preocupações, falhanços e sucessos, sabe bem olhar para o mar sem pensar em
mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5.º andar...

Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e activas, a mulher tem um
papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando
as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as
suas mães nem tinham sonhado ocupar.

Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o
feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram tantas
as mudanças, parou e reflectiu sobre o que na realidade queria.
Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre
tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter filhos, outras
não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas, diplomatas... Mas cada uma
fez o que quis : reconheçamos que não foi fácil, e no entanto continuam a
fazê-lo todos os dias.

Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos
"sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito
toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e vêem-se), e até se
esquecem do velho telefone para contactar os amigos - mandam e-mails com as
suas notícias, ideias e vivências.

De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando não
estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos
sentimentais.

Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflecte, toma nota, e parte
para outra...

Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas superlativas,
quase insolentes de beleza ; mas não se sentem em retirada. Competem de
outra forma, cultivam o seu próprio estilo... Os homens não invejam a
aparência das jovens estrelas do desporto, ou dos que ostentam um fato
Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo. Em
vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase
inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.

Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao longo
da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos
e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a
juventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude ela própria também
está cheia de nostalgias e de problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...

Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60
no século XXI ...

 

 

 

 

(imagens da internet)

 

2 comentários

Comentar post