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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Quem

Maria Araújo, 20.09.11

Tenho uma colecção de textos escritos por AL(guém), um amigo.

O tempo em que era frequente receber os seus escritos,quase quinzenalmente, passou.

O tempo não permite, agora, que se escreva com frequência.

Separados  por alguns quilómetros, são raros os conta(c)tos que temos,  mas a amizade é eterna.

E quando menos espero, recebo um mimo, como este:

 

 

QUEM ESPERA NUNCA ALCANÇA

 

Admiro os jovens que se amam,

 

E que fazem juras eternas desse amor.

 

Como aliás admiro todos os outros.

 

Incansáveis buscadores de quimeras!

 

Os utópicos e os distópicos,

 

Os furiosos de barbas longas e chinelas

 

Que anunciam o fim do mundo.

 

Enganados estão, julgando que há mundo

 

Para se acabar em data fixa.

 

O mundo somos nós todos,

 

Criaturas acéfalas que vagueamos por aí.

 

Enganados na esperança,

 

No futuro, nos dias de amanhã.

 

Cegos não entendemos

 

Que aquilo que é o mundo

 

É mais um solipsismo em que nos meteram.

 

E nós, tão audazes,

 

Queremos sair dele a toda a força.

 

Por isso prometemos, esperamos,

 

Louvamos a Deuses que nunca vimos,

 

Dos quais só ouvimos falar por palavras emprestadas.

 

Mas isso satisfaz-nos!

 

Ficamos saciados de amor e paixão.

 

E nesta fraternidade universal,

 

Onde apenas somos rebanho sem pastor,

 

Esperamos com Godot:

 

Que o dia de amanhã nasça com sol,

 

E que o de hoje se ponha sem chuva,

 

Que as juras de amor se concretizem,

 

Que as cartas tenham respostas,

 

Que D. Sebastião, mesmo cansado, regresse.

 

Esperamos sempre,

 

Sentados à mesa.

 

Olhando por uma janela de vidros sujos.

 

Que as nossa lágrimas não conseguem limpar.