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O sexo e a Cidália

por Maria Araújo, em 30.04.11

Uma amiga envia-me por e-mail alguns textos, que ela sabe que me interessam, da resvita do DN, "O sexo e a Cidália".

Hoje, este tema refere-se a um grande número de mulheres que conheço, e porque é a realidade de muitas outras por esse mundo fora, com relevo para as mulheres disponíveis, inteligentes, independentes, mas sozinhas, por conseguinte,  "workaholic"...

 

 

As sofredoras

 
Volto ao papel preferido das mulheres: perceber os homens. Houve um tempo que elas não pensavam demasiado neles. Dedicavam-se ao lar, aos rolos de carne no forno e aos bibes dos filhos. Esse era o tempo em que os homens não tinham grandes dúvidas existenciais. Já tinham amantes, é verdade. Mas não se viam solteiros com os pré-cozinhados.Depois de nos termos armado em homens e termos começado a fazer tudo o que eles faziam (menos ser indiferentes à dor), as coisas começaram a complicar-se. O problema é que esse tempo é o de agora. O tempo das complicações.

Às vezes olho para as minhas amigas, giras, novas e sorridentes, bom corpo, sem defeito visível, e penso: para onde é que eles andam a olhar?

Estas são as raparigas que me dizem: «Parece que me lançaram um mau-olhado.» Haver tantos maus-olhados conseguidos far-me-ia acreditar nos poderes dos nossos feiticeiros. Eu própria consultaria um para outros males. Ou será que a especialidade deles é o amor, por ser matéria de todos?

E lá vou eu fazendo às vezes o papel de advogada do diabo, explicando-lhes que eu, no lugar deles (dos homens impossíveis), se calhar faria o mesmo: porque hás-de ter uma (mulher) se podes ter trinta?

Ou seja, cada vez mais eles picam o ponto. E elas deixam. E eles não querem ninguém lá em casa, a não ser a Dona Adozinda.

E pensem, raparigas, vocês querem mesmo tê-los o dia todo convosco? Acordar com o ressonar durante a noite? Vê-los a gargarejar pela manhã? Encontrar-lhes os colarinhos com sarro? Pedir-lhes para não fumarem mais no quarto ou deixarem a toalha do banho no chão? Vocês querem isto ou querem sentir os nervos e a ansiedade de um jantar? De perceber as compatibilidades dos dois? De ouvir uma música em repeat até alguém nos chamar a atenção?Vocês querem cair na paixão ou controlá-la?

Julgo que os homens a controlam o tempo todo. A forma de nos deixarmos cair numa paixão é evitando ver o que nos perturba.

As mulheres normalmente gostam de afundar a ferida. Espreitar o Facebook ou o blogue dele, mesmo sabendo que qualquer mínima revelação vai fazer-lhes mal. Elas olham vezes sem conta para os sms trocados e ficam a sonhar não só com o momento passado, como a tentar dar elasticidade a palavras que já não fazem sentido. As mulheres mastigam matéria muito dura. Impossível de digerir.

Nos homens talvez essa capacidade de se desligar seja inata. Portanto, apagar mensagens ou deixar de as ver na net nem é sacrifício. Faz parte. Até porque há que dar lugar a outras.

Os homens conseguem assim controlar os affaires. Para não serem paixões. Às vezes também lá caem, e quando caem ficam de rastos.

Mas nas mulheres essa queda é constante. No fundo temos um espírito sofredor que se alimenta de mais e mais sangue. De mais feridas. Até chegarmos ao mau-olhado, sem que ele exista.

A paixão não é só para os fortes, é para os disponíveis.

Cada vez mais me apercebo de que a paixão exige muita disponibilidade. E há quem não tenha «tempo» para isso. Ou paciência. Ficar à espera que «ele» diga se sempre há jantar ou não (quando podíamos estar nem que fosse com a nossa mãe) é uma questão de paciência.

Normalmente as mulheres esperam. Olham para o telemóvel muitas vezes. Arranjam-se «não vá ele dizer alguma coisa». A isto chamo paciência. Porque se aguentamos isto estamos a roubar tolerância a outras matérias. E às vezes mais valia dedicarmo-nos a elas.

Um dos segredos de vida para este século de amores difíceis é não esperar demasiado. Não esperar nada. Seguir em frente. Guardar os bons momentos sem fazer deles matéria de demasiada emoção. Se insistimos no mesmo não damos lugar a outros. Aparentemente, isto é fácil de perceber mas difícil de concretizar. Desculpem-me voltar ao assunto tantas vezes, mas faz-me impressão ver gente a adiar a vida só porque não tem namorado.

Oh God, make me good, but not yet!

 

 

 

 

 

 

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