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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

745 - O 1º dia de aulas

Maria Araújo, 13.09.10

Bem, hoje ainda não foi o meu primeiro dia de aulas. Como trabalho numa vila basicamente rural,  a 16 quilómetros de Braga, todos os anos fazemos a recepção ao aluno no primeiro dia de aulas, assim como temos uma primeira reunião com os pais e encarregados de educação.

Este ano não me foi atribuído o cargo de DT , pelo que fiquei secretária de uma turma de 5º ano. Esquisito! Desde que estou no ensino, não fui DT apenas no ano de estágio e em 1994.

Bom, mas não me perdendo em divagações, depois da reunião com os pais, regressei a Braga.

A minha sobrinha tinha aulas de tarde. Queria que no fim destas,  fossemos à Abra adoptar o gato. Tinha prometido que seria depois das férias. E ela não esquece. Todos os dias me fala nisto.

Mas hoje era impossível. Lembrara-me que tinha o funeral, marcado para as 18:30h,  do pai de uma colega que trabalhou comigo há uns anos e, desde então, ficamos amigas.

A miúda reclamou, dizendo que eu estava a arranjar pretexto para não ir à Abra.

Às 17 horas fui buscá-la à escola. Óbvio que não ia levá-la ao funeral, pelo que ficou por casa.

A igreja fica fora da cidade, numa zona que eu não passava há muitos anos.
Depois de perguntar onde ficava a igreja  a uma senhora que passeava o cão, tive que voltar para trás e  segui a indicação.

Quando me aproximei, vi que a igreja está localizada para o interior da pequena estrada que devia seguir.

Muitos carros estacionados impediram-me de arranjar um lugar por perto. Uma estrada estreita, sem passeios para os peões, não seria adequado estacionar na berma, não fosse qualquer condutor de freguesia de arredores passar com velocidade e, tresloucado, perder o controlo e bater. E era perigoso inverter a marcha.

Então, quando cencontrei um espaço mais largo para a fazer, voltei para trás.

Decidi parar o carro junto a uma paragem de autocarro. Tinha espaço suficiente, não perturbava ninguém, por ali ficou o meu peugeotzito. Perguntei a uma senhora que estava dentro do carro,  na paragem, se o caminho que estava junto á estrada me levaria à igreja. Respondeu-me que não sabia, e que estava à espera de uma colega e iam também para igreja. Agradeci e segui o meu caminho.

Como todos os caminhos, mesmo aqueles que Jesus Cristo não pisou, como se diz por cá, vão dar a Roma, então com certeza que este iria ter lá dar.

Uma subida íngreme, diga-se.  Vislumbrei três vivendas no alto e, quando me aproximava, ouvi vozes. Uma criança veio à porta, seguida da mãe. Perguntei se a igreja  ficava perto. Disse-me que ainda tinha que andar um pedaço, mas que ia dar à igreja.Encotraria outros caminhos.  Deveria seguir  em frente.

Se até aqui subi, depois foi descer. E lá cheguei à igreja, depois de ter virado aqui e acolá.

Muitas pessoas à porta. Entrei. Estava cheia.

Não fui cumprimentar a minha amiga nem a família.Por motivos pessoais, gosto de respeitar a dor das pessoas, pelo que deixo este acto para o fim da cerimónia.

O calor aqui por Braga era intenso. A igreja cheia, três portas abertas, mas não me sentia muito bem. De pé, ia mexendo no vestido "descolando-o" do corpo que transpirava. E fui aguentando.

No final da missa, aguardei na entrada da igreja que as pessoas saíssem para que eu pudesse aproximar-me da minha amiga. Impossível. Ela estava muito abalada, alguém a amparava e, com o rosto baixo, não olhava para ninguém. Deixei-a passar e segui o cortejo fúnebre.

Depois do funeral, uma a uma passava a família. Ela não vi.

Encontrei uma amiga, trocámos  umas breves palavras e segui em direcção ao carro.

Só que, desta vez, meti por outro caminho. E várias pessoas que haviam deixado os carros estacionados pelos caminhos estreitíssimos daquela freguesia, seguiam também na mesma direcção.

De repente, verifico que não ia na direcção certa." Bolas, no estrangeiro consigo orientar-me e aqui "neste fim do mundo" perto de Braga não sei onde estou!"

Voltei para trás. Subiam a íngreme estrada dois homens. Vinham do funeral. Dirigi-me a eles, expliquei onde tinha deixado o carro.

Simpáticos, e diga-se, muito interessantes, porque este olhos também sabem apreciar, disseram que estava sim, errada, mas que aquele caminho também ia dar à estrada. Só que era mais longe.

Pedi-lhes para me dizerem como me orientar. Um deles aconselhou-me a  segui-los e ajudar-me-iam a encontrar o lugar onde estavam as três vivendas que eu vira no percurso para a igreja.

E lá fomos a comentar as subidas estreitas destes caminhos que nos fazem perder calorias e ao mesmo tempo respirar um ar mais puro.

 Um deles ficou pelo caminho a conversar com um homem idoso, e o outro acompanhou-me até um lugar com um relvado verdinho e fresco, onde à minha frente, se encontrava uma bifurcação, que reconheci.

Comentei:"Já sei onde estou. Obrigado pela atenção".

Agora uma descida e lá estava ele, o meu carrito, à minha espera.

Segui o meu destino em direcção a casa. Contudo, como se não bastasse, quando me aproximei da rotunda que dá acesso ao centro de Braga,à variante sul e à auto-estrada Braga-Barcelos, enganei-me. Dirigi-me para a variante sul. Tive que fazer uns quilómetros. E esta variante também dá acesso à auto-estrada Braga-Guimarãe, Braga-Porto, mas na direcção que eu seguia, o mais provável seria entrar na auto-estrada  para Guimarães.Então, antes que fizésse asneira, dirigi-me a Celeirós e cá cheguei a casa.

Costumo ligar à pequena a saber se está bem e avisando-a do tempo que posso demorar. Mas hoje deixara o telemóvel em casa.

E,  com esta pequena "aventura", cheguei a casa às 20 horas. A miúda estava bem...

Sou uma mulher prevenida e cuidadosa.

Os percalços acontecem.

 

 

 

 

(imagem retirada da internet)

 

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