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701 - O calor... de um beijo

por Maria Araújo, em 29.07.10


O Nó no Lençol :



Numa reunião de pais numa escola da periferia, a professora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos e pedia-lhes que se fizessem presentes o máximo de tempo possível...

Considerava que, embora a maioria dos pais e mães trabalhasse fora, deveria arranjar tempo para se dedicar às  crianças. 

Mas a professora ficou muito surpreendida quando um pai se levantou e  explicou humildemente, que não tinha tempo de falar com o  filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar  era muito cedo e o filho ainda estava a dormir. Quando voltava do  trabalho  já era muito tarde e o filho já não estava acordado.

Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo  para o filho e que tentava compensá-lo indo beijá-lo todas as noites quando  chegava em casa.

E para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando  ia  beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o  pai  tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A professora emocionou-se com aquela  história e ficou surpreendida quando  constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.

O facto faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem  presentes, de comunicarem com os outros.

Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais  importante é que o filho percebia, através do nó, o que o pai  estava a dizer. 

Simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou a presença indiferente de outros pais.

É por essa razão que um beijo cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro...

É importante que nos preocupemos com os outros, mas é também importante que os outros o saibam e que o sintam.

 


As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem  reconhecer um gesto de amor.

Mesmo que esse gesto seja apenas um nó num lençol... 

 

 

Delicioso este e-mail que recebi.

Cantinho da Casa

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2 comentários

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De Rui da Bica a 29.07.2010 às 18:08

Muito, muito interessante ! Este caso é muito especial, (pela impossibilidade) mas está provado que são fundamentais para as crianças os 1ºs 10 minutos da chegada de um pai a casa, dedicados ao filho.
Ao fim desse tempo o filho sente-se saciado da ausência do pai e ele próprio toma a iniciativa de retomar as suas brincadeiras normais.
Isto quer dizer que a invocada falta de tempo dos pais para os filhos não tem razão de ser.
Passados esses 10 minutos o pai tem todo o tempo para si próprio.
Bjs.
.
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De comunicadoras a 29.07.2010 às 17:34

Lindo e emocionante! Eu sempre digo ás pessoas que desculpam os pais por falta de tempo que não há desculpas. Não é preciso muito para que a criança se sinta amada e protegida.Esta história faz-me lembrar o meu pai que todos os dias ia dar-nos um beijo de boa noite ( era taxixta) fosse a que hora fosse e um dia tropeçou em mim, pois eu tinha caído da cama e reboldado até à porta.Um incidente que nunca esqueço, pois tem um significado importantíssimo para mim. O meu pai estava sempre connosco mesmo que não o víssemos durante o dia; naquele tempo quase não havia carros e ele fazia viagens longas, às vezes de dias. Um beijinho e espero que os pais ainda acordem a tempo, pois as nossas crianças são muito carentes de afectos.
Emília

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