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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

22.01.20

dia de São Vicente

doces conventuais

Maria Araújo

O meu irmão mais velho nasceu no dia 22 de Janeiro, dia de São Vicente,  na freguesia de São Vicente. Mas não se chamou Vicente. Francisco era o seu nome.

Faria hoje 70 anos.

Cá na cidade, há festa na freguesia de São Vicente, é dia de moletinhos.

Eu adoro moletinhos. 

Só se vendem neste dia e no dia de São José, dia do Pai.

Hoje, lembrei-me muito do meu irmão.

Hoje, comprei moletinhos.

A minha sobrinha deu o nome de Vicente ao filho. 

E eu ofereci-lhe moletinhos.

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imagem daqui

21.01.20

há anos que não o cozinhava

Maria Araújo

a minha mãe costumava fazer ensopado de costeletas de borrego à Alentejana.

Quando ela facleceu,  fiz os possíveis ( aprendi com ela ) por fazer os pratos que ela muito bem cozinhava.

À medida que os irmãos saíam de casa, fui deixando, também, de fazer os pratos mais elaborados, até porque trabalhava fora da cidade, almoçava fora de casa ( na altura ainda não havia a moda da marmita), tornei-me mais prática na cozinha, excepto quando os sobrinhos , que andavam na escola perto de casa, e almoçavam comigo, cozinhava o que eles mais gostavam.

Por vezes, não me apetece estar com muito trabalho na cozinha, faço pratos simples, alguns vegan, faço o que na hora me apetece.

Mas eu estou magra, não gosto de me ver com o peso dos meus 20tes ( nessa altura queria ser elegante,e sempre fui), e comendo melhor ao almoço que ao jantar ( sopa e uma refeição mais ligeira e em menos quantidade), tomei a decisão de fazer o que gosto, e à portuguesa.

Hoje, passei no talho e vi umas costeletas de borrego olharem para mim.

E lembrei-me do ensopado de borrego.

Peguei no famoso livro " Doze Meses de Cozinha" que aqui em casa deve ter cerca de 40 anos, e fui ver a receita.

O único senão deste prato, mas que adoro, é o pão.

E a verdade é que comi as quatro costelestas ( são pequenas, têm pouca carne)  e dois pães em fatias naquele molho, ai Jesus!

Estava tão bom!

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Estou como o Trip, enfardei tudo.

Também decidi que quando janto fora com a minha amiga M, se decidirmos comer pizza ou hambúrguer,  que ela muito gosta, alinho com ela.

Já a francesinha, não!

Preciso encher este body com pelo menos 3kg.

E dizem as médicas que eu falo de contente.

 

16.01.20

voar em Executiva

Maria Araújo

Tempo de regressar a casa, à rotina da escola, fui despedir-me dos meus sobrinhos netos, diz-me a mãe: " Hoje vamos viajar em Executiva, vai ser uma viagem mais confortável ".

Comento com o filho mais velho: " que bom, vais poder..."

Interrompe-me e diz: " que fixe, tia L,  vou poder escolher o que quiser para jantar!" ( ele come muito bem contrariamente ao irmão que não come nada).

Na viagem para Portugal o miúdo dormiu mal, chegou cansado, cheio de olheiras e dores de cabeça, disse eu: " vais poder dormir confortavelmente, a viagem é longa".

Como sempre, e desde há 9 anos, vêm duas vezes a Portugal. 

Voltam nas férias de verão.

 

 

 

 

 

14.01.20

o meu sobrinho neto

Maria Araújo

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Tem dois anos, é um menino dócil, alegre, malandro.

Na creche, os coleguinhas da sua sala adoram-no. 

Não os conheço.

Ontem, o D e o V  encontraram-se à porta da creche, foram de mãos dadas para a sala.

Se o vêem na rua, ou qualquer outro lugar, com a mãe ou comigo, como já aconteceu, chamam por ele. E o V ri-se.

Se for a MJ, chateia o pai porque quer dar-lhe um beijinho.

 

 

 

13.01.20

tenho o coração triste, muito triste

Maria Araújo

Ontem, depois do almoço, recebi uma chamada da minha amiga Márcia, perguntou-me se a acompanhava numa visita à nossa amiga Alice.

A última vez que fui visitar a Alice, foi com esta minha amiga,em Maio do ano passado. Nessa altura, fiquei de coração partido. 

Em Setembro passado, a amiga Márcia ligou-me a comunicar que tinha voltado a visitar a Alice, ficou muito triste com o estado dela. Numa cadeira de rodas, mal olhava as pessoas, estava muito frágil, não reagia a nada.

Pedi-lhe que a próxima vez que lá voltasse, que me ligasse, eu queria ir vê-la.

E ontem foi o dia.

Foi um choque, uma dor no coração, uma revolta que senti.

A Alice está na cama, não pode levantar-se, não come, está a ser alimentada por sonda que vai directa ao estômago. Olhos perdidos no infinito, por vezes, mexia as pernas, queria levantar-se, emitia um som de grito, revolta, talvez. 

Saí do quarto, precisava chorar, ganhar força para voltar.

Não sei dizer mais nada, muito mais aconteceu, não consigo escrever o que vi e senti.Sinto uma grande dor.

Esta mulher era uma pessoa humilde, boa amiga, trabalhadora, alegre, sempre disposta para as noites de dança, quando o grupo se juntava. E cozinhava um arroz pica no chão que era uma maravilha.

Infelizmente, e de repente, a Alice começou a perder o norte.

A Alice tem 58 anos. Pode viver com esta doença muito tempo, como pode ir embora de repente.

Deus a alivie.

Sinto uma agonia enorme.

A Alice não me sai do pensamento.

 

 

10.01.20

desafio de escrita dos pássaros # 17

Maria Araújo

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" Desafio de escrita dos pássaros"

# Tema dezassete - cantinho da casa

Luz e sombra


Acordou de repente. O corpo dorido da longa viagem que fizera pede mais uns minutos de preguiça. Vira-se sobre si mesma. Pára, aquieta-se.
No silêncio daquele confortável quarto de hotel, a luz da manhã que entra pelo estore da janela forma umas riscas de sombra no seu corpo. Observa esta perfeita harmonia. Sorri.
Ao mesmo tempo que os seus dedos percorrem as sombras do corpo, os pensamentos perdem-se no que fora até então a sua vida amorosa.
Tinha tido vários parceiros, uns mais cultos e bem formados , outros supriam alguma solidão, nenhum conseguira despertar esse sentimento do amor. Há muito que deixara os encontros casuais de meetic, de badoo, de tinder, que pouco ou nada lhe trouxeram de positivo . Mas enquanto não aparecesse aquele por quem o coração batesse forte, estava bem assim, solteira e livre.Também as constantes viagens que fazia não lhe dava tempo para pensar no amor. Mas sentia falta de calor humano.
Espreguiça-se, os braços ajeitam a almofada. O corpo pede mais uns momentos de descanso.
Vira-se de novo. Fica irrequieta.
A luz do dia fá-la sair da cama. A custo, levanta-se.
Aproxima-se da janela e evitando que a luz ofusque os seus olhos, espreita pelas lâminas do estore, quer ver como está o dia lá fora.
Olha o céu, olha o sol, olha o mar.
Tomar um bom pequeno almoço era importante, iria, depois, até à praia estender-se à sombra de um guarda-sol deste hotel em frente à praia, ler o livro, relaxar da viagem, perder o olhar no infinito, apreciar a elegância do vôo das gaivotas.
Umas pegadas na areia chamam a sua atenção. Pegadas de alguém que madrugara cedo, pegadas de alguém solitário.
Abre, então, a janela. O ar fresco da manhã entra pelo quarto. Respira fundo.
Dirige-se à casa de banho, toma um banho tépido, veste uma roupa prática. A manhã está por sua conta.
Já em direcção à praia, volta a olhar as pegadas. Pegadas de solidão que contam segredos, felizes ou infelizes, que ao mar e à praia pertencem.
O seu coração diz-lhe que deve segui-las.
A sua sombra projetada na areia fá-la sorrir. Como se de uma pista se tratasse, quer pisá-las, quer senti-las nos seus pés.
Ela quer que a sua sombra seja a primeira a chegar à última pegada que lhe pode trazer o desvendar de um mistério, quiçá um encontro com um alguém solitário.

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