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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

desafio de escrita dos pássaros # 2.1

Maria Araújo, 31.01.20

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" Desafio de escrita dos pássaros"

# Tema um

Acho que a coisa não vai correr bem

 

Sempre fora um homem de garra, um exímio trabalhador, um pai preocupado, mas...
Não tinha horas para nada. O trabalho estava em primeiro lugar, os filhos e a esposa esperavam-no para jantar, cansado que chegava a casa gritava com os filhos, a esposa tentava acalmá-lo, os filhos perdiam o respeito que ele exigia, não permitia mentiras. Amava-os e conhecia-os muito bem. E se aos fins-de-semana na saída com os amigos para a noite não estivessem em casa à hora marcada, ligava-lhes para o telemóvel, não recebia resposta, pegava no carro, procurava-os, trazia-os para casa.
Com o tempo, o filho mais velho percebeu algo estranho no comportamento do pai. A mãe nunca referira nada a respeito. Começou a prestar-lhe mais atenção.
Uma noite, quando a mãe e o irmão dormiam, foi para o quarto, apagou a luz, fez de conta que se deitava. Deixou passar alguns minutos, foi espreitar o pai que, na sala, deitado no sofá, dormia . O televisor ligado era a luz que lhe permitia ver o que se passava.
E descobriu: ele bebia.
No chão, junto ao sofá, estava a garrafa de vinho. No copo em cima da mesinha restava um pouco do que poderia ter bebido: um copo? Mais?!
Impossível acreditar no que os seus olhos viam. O pai sempre fora moderado com o álcool. Em casa bebia água às refeições, socialmente pouco bebia. O que o teria levado a beber?
Durante algum tempo foi espiando, até que num dia que saíram juntos, perguntou-lhe o que se passava, que sabia que ele bebia, que alguma coisa estava a acontecer que o levava a beber.
O pai respondera que estava com problemas no trabalho, que não era nada que o pudesse deixar a ele preocupado, que a bebida fora ocasional.
Mas não fora ocasional. O pai continuava a beber, escondia-se na casa de banho de serviço, adormecia, por vezes, sentado na sanita.
Falou com a mãe.
Ela confirmou que o pai bebia há alguns anos. Eles eram mais pequenos, não percebiam, poupara-os de o ver embriagado.
Sugeriu que o pai devia participar nas reuniões dos Alcoólicos Anónimos, lera alguma coisa na internet, é confidencial, o pai precisava de apoio urgente. Pediu que falasse com ele.
Ela respondeu-lhe que ia tentar mais uma vez, mas " Acho que a coisa não vai correr bem".

 

 

 

das coisas dos últimos dias

Maria Araújo, 30.01.20

Às 9:05h de hoje, estava a ligar para a oficina a pedir que alguém viesse pôr o carro a trabalhar, seguia então para lá para colocarem uma bateria nova.

Às 9,30h, tinha a bateria carregada, foram as luzes que ficaram acesas ( o carro não deu sinal, não entendo), fui levá-lo à oficina.

Fizeram o teste, a bateria ainda tinha alguma autonomia. 
Na ficha de cliente, a última bateria colocada no carro foi em 2015.

Mas eu preferi que pussesem uma nova.

Esperei cerca de vinte minutos, paguei, com IVA ( ficou cara, pois!), porque nesta oficina não perguntam se quer a factura com ou sem  IVA .

E ainda fui ao mercado municipal.

Entretanto, e já que estava na rua, passei no parque de estacionamento, contei ao senhor o que aconteceu na terça-feira passada ( não era ele que estava nesse final de tarde) e,  muito simpático, disse que não me preocupasse, estas coisas acontecem.

Queria  dar-lhe o valor em falta, 1,55€, respondeu que  já tinha passado, que não me preocupasse.

Insisti.

"Não tem a pagar nada", comentou.

E eu agradeci.

 

 

 

coisas minhas, de hoje

Maria Araújo, 29.01.20

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E como  se não chegasse o que  aconteceu ontem,  4ª feira é o dia que tenho mais livre de compromissos, pelo que vou sempre por volta das 17:30h  buscar o sobrinho neto ao colégio.

Chovia, seria melhor levar o carro. Meti a chave na  ignição, o carro não deu sinal de si (  há cerca de três semanas fui jantar fora, quando fui levar a minha amiga a casa, parámos a conversar dentro do carro, quando pus o carro a trabalhar, tivemos de o empurrar para que ele pegasse e eu pudesse chegar a casa. Como desde então a bateria sempre funcionou, e hoje de manhã ainda fui ao ginásio, não o levei à oficina, teria de acontecer ), agora de tarde, bateria, Zero!

Pensei  levar o carrinho dele, lembrei-me que o plástico ficou no carro do avô, impossível trazer o miúdo ao colo, são cerca de 15 minutos a pé. 

Liguei para a mãe, que não atendeu.

Tomei a decisão de ir a pé até ao colégio, pediria um táxi que nos traria a casa.

E assim foi.

Quando pedi ao taxista para parar o carro em frente ao portão que dá acesso às garagens do prédio, ele não o fez, deixou-se estar na via, depressa dei-lhe o dinheiro para pagar e no mometo que me entregava o troco, ouviram-se os carros atrás de nós a buzinar insistentemente.

O taxista disse: "Não se preocupe, eu não tenho pressa, deixe-os buzinar".

Os condutores insistiam nas buzinas, até que eu saí do carro com o menino, o guarda-chuva ( que estorvava demais) e a carteira.

 O taxista seguiu rua abaixo e quando passei à frente do primeiro carro e pedi calma, que tinha uma criança ( dois anos) ao colo.

O gajo (desculpem, mas é assim que merece ser  tratado) gesticulava para mim, mete a primeira e segue rua abaixo,  eis que no carro atrás daquele, uma mulher ( gaja)  manda uma buzinadela, baixa o vidro, olho para ela que e diz " Tenha calma, não! Há lugares para estacionar, por que é que ele não estacionou lá?"

Virei as costas, não lhe respondi, não valia a pena dar conversa a gente desesperada.

Isto aconteceu no máximo dois minutos.

Eles até tinham razão,não custava nada o taxista estacionar nos lugares vagos,mas quando me viram com a criança ao colo não deviam ter resmungado comigo. Mas também não fiquei muito incomodada, porque foi rápido.

Ora de manhã, a confusão de trânsito aqui na rua é demais. Há uma escola do primeiro ciclo, a rua é estreita, muitas vezes os pais deixam os carros em frente aos portões dos prédios, vão deixar os filhos na entrada da escola e, no meu caso, sou obrigada a esperar que venham tirar o carro para eu sair. E não resmungo.

Quando vou ao ginásio, levanto-me mais cedo para evitar este pára, arranca, na rua.

Estes chicos-espertos que resmungaram comigo, hoje, são pessoas que trabalham aqui na zona ( CTT, Finanças, Registo, Hospital, Escola Secundária) sabem que esta rua tem horas de trânsito lento na entrada e saída das crianças da escola, porque diabo foram protestar comigo.

Oh, gente impaciente!

 

 

coisas minhas

Maria Araújo, 29.01.20

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Um final de tarde atribulado, ontem, com a chuva que caía ( e hoje ainda não parou) sem lugares ( a pagar) na rua, estacionei o carro num parque que tem elevador de acesso à rua, não nos molhávamos porque os gabinetes( imobiliárias, cabeleireiros, e outros) ficam debaixo do edíficio. 

Era dia de ir à Maia, às 18:00h costumamos sair de Braga,  eram 17: 20h quando fui buscar o carro. Introduzi o bilhete na máquina para pagar o estacionamento, meti duas moedas de 1 euro. O miúdo estava encostado às minhas pernas, e bem junto à máquina, não fosse ele escarpar-se, o lugar é de garagens, também, poderia vir algum carro. 

Tê-lo no colo não era possível, além de ser pesado também tinha várias coisas nas mãos, estava tudo controlado.

Mas o bilhete não saía da máquina. Ainda me virei para o guichê onde estava o segurança, para pedir ajuda, mas ele não me ouviu, aguardei que a máquina me devolvesse o bilhete, o que aconteceu, assim como o troco.

Cheguei ao carro, atirei com as moedas para o tablier, sentei o menino na cadeira.

Quando me aproximei da máquina para meter o bilhete e a barra subir para eu passar, a máquina não lia o bilhete.

O segurança, que estava na cabine, percebeu que a barra não levantava, veio ter comigo.

Pediu-me o bilhete, perguntou-me se tinha pago. Respondi que sim.

Olhou para mim, viu o menino atrás na cadeira, foi à cabine, voltou e, manualmente,  fez com que a barra subisse.

Agradeci e passei.

Fui à Maia, com esta chuva que não nos larga, regressei a casa, jantei, fui para o sofá. E adormeci.

Quando acordei, pensando eu que seria 00:40h, hora que habitualmente me deito e se não tiver ginásio de manhã cedo, fui deitar-me... Olhei o relógio da cozinha, eram 11:40h ( é mecânico estes 40), mas de tão cansada que estava, fui dormir. E hoje tinha ginásio.

Como é normal, também, quando me levanto do sofá depois de ter passado pelo sono, e vou dormir, nem sempre ele volta logo.

Foi então que se fez luz na minha mente: quando tirei o troco do tablier, reparei que não correspondia ao troco que devia receber, pois a máquina marcava 1,55€ de parque ( devia ter recebido 0,45 €) pensei  que afinal a máquina demorou a devolver o bilhete porque faltava dinheiro. 

E lembrei-me que lera qualquer coisa na máquina de 35 cêntimos, mas como estava preocupada com o menino, não reaciocinei, e como a máquina devolveu o bilhete e o dinheiro, 1,20€, que só à noite tirei do tablier,  para mim estava tudo normal. 

Hoje está um dia muito cinzento e de chuva, vou buscar o menino ao colégio, não passo lá, mas amanhã de manhã, vou falar com o senhor ( se for a mesma pessoa, senão, explico o que aconteceu).

Cheguei a casa, subi as escadas com o menino, já estava a fazer-se tarde, quando fui à carteira para tirar a chave de casa, lembrei-me que a tinha metido na gaveta do tablier ( faço isto sempre que vou ao ginásio, para depois chegar e estacionar na garagem). Com dúvida de que teria deixado no carro, remexi a carteira. Nada!

Que nervos!

Peguei no menino ao colo, desci as escadas, fui buscar a chave.

Toda eu tremia. Transpirava de nervos.

O tempo estava a passar, a sobrinha a chegar.
Quando chegou, eu estava mais calma, mas disse-lhe : "que final de tarde stressante".

Contei a cena da chave.

Faltou a do parque.

 

 

 

 

o conserto

Maria Araújo, 28.01.20

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Fui comprar os bilhetes para o último dia do espectáculo "Conserto para Dois", no sábado passado, o dia disponível para irmos.

Desconheço se os outros dias estão com boa venda de bilhetes, mas para este último dia a primeira plateia já só tinha poucos lugares com boa visibilidade para o palco ( prefiro pagar mais e ficar num bom lugar), conseguimos atrás mas no centro da plateia.

Adoro os espectáculos com actores brasileiros.

De muitos que já vi, todos superaram as minhas expectativas.

Veremos como será este.

 

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