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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

o que é normal num dia pode não ser no outro

Maria Araújo, 24.01.19

Tinha uma consulta para as 15:40h, em Vila Verde, fui cedo, precisava de estar em casa por volta das 16:30h , ia buscar o bebé ao colégio, seguia com ele para uma consulta, a mãe encontrar-se-ia comigo no consultório.

A consulta é rápida, faz-se  as picadas, calça-se as meias, vem-se embora. Nunca demora mais de quinze minutos.

Com ideia chegar por volta das 15:15 h, e sair de lá de molde a chegar a casa à hora que previra, a cerca de 4 km do hospital, deparei-me com uma longa fila de carros. 
"Ou são obras, ou um acidente" pensei. Os minutos passavam, não chegaria à hora que previra.

Quase trinta minutos depois, à medida que meia dúzia de carros seguiam o seu caminho e do outro lado o trânsito fluía com regularidade, eis que vejo o que era: uma nova rotunda está a nascer ali, um pouco antes de uma mais antiga que fica a cerca de 1 km daquela.

Passada a obra, estacionei o carro num grande parque onde se faz a feira, percorri os escassos metros a pé, entrei pelo parque de estacionamento do hospital.

Tirei a senha de consulta, tinha sete pessoas à minha frente, esperei, esperei, esperei.

Às tantas, um homem alto meteu-se à minha frente, não conseguia ver o écran com os números de chamada, até que chegou a minha vez... vinte minutos depois de tirar a senha.

Aproximo-me do balcão, mostrei a senha à senhora, diz-me que não era para o balcão A, que devia ir para C.

Quando reparei na senha, fiquei possessa comigo mesma.

Observava sistematicamente a minha senha,  C, via os números passarem, mas os  meus olhos diziam-me que era o A,  o meu número tinha sido chamado há algum tempo e eu nada.

Aproximei-me da funcionária, que atendia o homem que se metera à minha frente, expliquei o que se passara, pediu que esperasse um pouco.

Outra funcionária tentava ajudar esta a resolver o assunto dele, a especialidade que ele queria não tem acordo com o seguro que possui, eu fervia pela espera, a funcionária dizia que tinha de acabar o que estava a fazer para atender-me de seguida.

A hora da consulta passara há muito, até que chamou-me. Mas não resolveu nada, havia um problema qualquer no sistema, perguntou-me se já tinha ido à consulta. Expliquei-lhe o que aconteceu, ela pedeiu-me que fosse para a consulta que passasse lá no fim para pagar.

No corredor estariam cerca de dez pessoas, tinha a certeza que a maioria não ia para a consulta de esclerose. E não iam mesmo. A porta  do gabinete estava entreaberta, percebi que não estava nenhum utente, e bati.

A médica mandou-me entrar. E foi num instante que foi feito o tratamento.

Saí na direcção ao balcão, com uma senha nova, ainda esperei pelo menos dez minutos.

Saí do hospital.

Pensei na fila que me esperava, pensei seguir na direcção de Amares, arrisquei o mesmo caminho. A fila era comprida, decidi meter por uma estrada secundária, certamente que " avançaria" pelo menos uns oitocentos metros.

Na mouche!

Quando voltei à estrada, estava a pouco mais de cem metros da obra.

Consegui meter-me na fila, passei a obra, estava a 10 km de casa, não apanhei mais trânsito, fiz o resto do percurso num instante.

Entretanto, teria de ligar à minha sobrinha a dizer que não chegava a tempo de ir buscar o bebé.

Ligou-me, eu conduzia, não atendi o telemóvel.

Quando cheguei, liguei-lhe, já estava no consultório.

Eu garantira à minha sobrinha que chegava a tempo. Cheguei dez minutos atrasada.

 

 

 

 

 

 

 

o parquímetro

Maria Araújo, 23.01.19

Fui buscar o sobrinho neto ao berçário ( felizmente não chovia, levei o carrinho do bebé) vinha para casa, vi e ouvi uma mulher, que tinha uma nota de 5 euros na mão, aproximar-se de um homem que passava perto e perguntar-lhe se tinha moedas e as trocava pela nota, precisava de pagar o estacionamento.

O homem respondeu que não tinha, seguiu caminho.

Ela virou-se, viu-me, fez-me a mesma pergunta. 
Sabia que tinha algumas moedas, mas que chegassem aos cinco euros não.

Abri o porta-moedas, tinha cerca de 4,30 euros , não dava para trocar.

A cem metros da rua há vários cafés, estive para lhe dizer que fosse lá trocar o dinheiro, mas quiçá naquele espaço de tempo a polícia passasse por ali e multasse a senhora?

Peguei em 0,50 euros e dei-lhos.

Não queria, que tinha algumas moedas pequenas mas que não chegavam para o tempo que precisava, que dá-me, então, as moedas que tem..."

Respondi que não queria nenhuma moeda, que as juntasse à que lhe dei e tirasse o papel, certamente que chegaria para o tempo que precisava.

Agradeceu-me muito, e eu segui o meu caminho.

Tinha razão a minha mãe quando dizia que eu jamais seria rica.

E eu não me importo nada.

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Diário da Gratidão # 9

Maria Araújo, 23.01.19

Ontem, na caixa do supermercado, diz a funcionária:

- Não quer levar a revista?

- Obrigada, mas não quero.

- Leve. Tem vales desconto e se a levar, no final do mês, nós recebemos um prémio.

Fiquei a olhar para ela. Aquele olhar simpático e de  esperança em atingir o objectivo, levou-me a dizer:

- Pois bem, levo. Não costumo mesmo comprar, não faço uso das revistas, mas a sua simpatia  convenceu-me.

Em casa, vejo os vales desconto e só em sopas, que nunca compro ( faço em casa), tem  26 vales.

Os dez restantes, só dois poderei vir a usar.

Compensa a revista pelas receitas que traz, algumas para bebés.

Gratidão também é isto.

 

 

A3

Maria Araújo, 22.01.19

18:00h, saímos de Braga em direcção à Maia.

No sentido sul, norte o trânsito automóvel era imenso, de vários quilómetros.

Cada ponte que passávamos, as luzes azuis dos carros da GNR vigiavam o que supusemos gangsdo futebol surpreenderem os autocarros que passavam.

Soube que a cidade de Braga vai receber, hoje, o Benfica e o Porto.

O jogo é 19:45h, estamos com sorte porque no regresso a casa, o jogo está a acontecer, não apanhamos trânsito.

 

Diário da Gratidão # 9

Maria Araújo, 19.01.19

Viajar  com um bebé, a logística triplica.

Chegamos a Santa Apolónia, a fila para sair do comboio era grande, fiquei junto à porta com as malas e o bebé no carrinho enquanto a minha sobrinha foi pedir ajuda.

Atrás de mim, as senhoras esperavam que saíssemos.

Entra a minha sobrinha, acompanhada de um jovem que, ao entrar espreitou o carrinho e diz:

" temos carrinho, tem um bebé".

Ambos pegam nele e saem do comboio.

Pedi às senhoras que saíssem, tinha duas malas, uma mochila e dois sacos, achei que devia ser a última a sair.

Quando chegou a minha vez, do lado de fora, estava a minha sobrinha à espera que lhe passasse as malas.

Tudo organizado, diz-me ela:

" repara no casal que está atrás de ti."

O casal abraçava-se com intensidade, ouvi ela proferir:

"que surpresa, que bom!" , e o abraço continuava ao mesmo tempo que os corpos se movimentavam de contentamento.

Seguimos o nosso caminho em direcção à saída da gare, conta a minha sobrinha:

" Quando saí do comboio, vi aquele rapaz detrás de uma coluna. 

Fui ter com ele, disse que tinha um carrinho de bebé para tirar, precisava de ajuda.

Ele respondeu logo que sim,  e quando viu o carrinho e espreitou-o e comentou que tinha um bebé, foi para que a namorada não o visse.

A razão de ele estar escondido atrás da coluna foi para lhe fazer uma surpresa".

Grata ao jovem que se escondia atrás da coluna, que ajudouuma jovem mãe ( e o bebé não acordou uma única vez, só no táxi,)  e surpreendeu a sua amada com um abraço apertado e cheio de felicidade. 

E assim aconteceu uma mini-novela numa gare de comboios.