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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

um almoço em Ponte de Lima

Maria Araújo, 18.04.17

Do grupo do ano passado cinco pessoas não puderam ir ao almoço.

Fomos nove, em dois carros.

O restaurante fica a curta distância da saída da auto-estrada.

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Um restaurante modesto,  o átrio com belas flores, o interior bem arranjado.

As entradas vieram para a mesa: favas estufadas, pataniscas, chouriços grelhados e broa.

Vinho tinto maduro.

O arroz de sarrabulho veio no tacho, os rojões em travessas regionais.

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Estava bom. Comemos bem.

Para sobremesa pedimos, pudim à Abade de Priscos pêra borrachona, gelado..

Bem servido. Contudo, não se comparava à  saudosa gastronomia do restaurante do senhor Cunha ( fica na nossa memória os bons pratos que cozinhava).

Conversa agradável e riso, muito riso

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Depois do almoço fomos dar um passeio pelo centro de Ponte de Lima.

O cinzento do céu e a temperatura agradável convidavam a fazermos o percurso da avenida dos plátanos, na margem direita do rio Lima onde se viam os amantes da canoagem que ora subiam ora desciam o rio.

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Estavamos em cima da hora para o regresso a casa.

Amanhã volta a azáfama da escola.

Os almoços ou jantares não são de mais. São os possíveis e com pessoas que sabem conviver.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

o arroz

Maria Araújo, 18.04.17

Em janeiro de 2016 fui jantar a Ponte de Lima, o tradicional arroz de sarrabulho.

Soube que o dono do restaurante costumava  cortar o presunto de uma forma perigosa e que várias vezes fora alertado para esse seu jeito inadequado, e que ele respondia que sabia o que fazia, sempre cortara o presunto à sua maneira.

Uns meses depois deste jantar, foi-me comunicado que o senhor morrera. A cortar presunto.

A faca deslizou e matou-o (não sei os pormenores, apenas sei isto).

Desde então o restaurante nunca mais abriu, era ele o único proprietário, ninguém tomou conta do negócio.

Hoje, vamos a Ponte de Lima.  Vamos almoçar arroz de sarrabulho.

Os meus amigos almoçavam com frequência no restaurante Cunha

Vamos recordar o senhor Cunha.

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(a minha foto à mesa do restaurante do senhor Cunha)

 

 

 

 

Semana 15 - Desafio 365 Fotos

Maria Araújo, 17.04.17

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A semana passada foi vivida de tudo um pouco.

Ora tivémos calor e aproveitámos a praia, ora o tempo arrefeceu um pouco e andámos pela cidade a viver a Semana Santa.

Então, aqui vai o "relatório":

 

Foto 1 - Uma pintura estilo azulejo que fotografei na Exposição de Almada Negreiros, Gulbenkian.

 

Foto 2 - Terça-feira, um belo dia de verão na primavera.

 

Foto 3 - Uma conceituada merceria especializada  na venda de bacalhau, nas traseiras da Sé de Braga.

 

Foto 4 - Tecto em madeira da entrada da Igreja de São João de Souto.

 

Foto 5 - Nunca me lembrara de fotografar esta ala do Paço Episcopal junto ao Jardim de Santa Bárbara. Belo.

 

Foto 6 - Sábado, depois de uma aula intensa no ginásio, fiquei por casa. Preparar a Páscoa implica temperar o cabrito e as frutas. Tinha comprado ovos biológicos e como gosto de bolos feitos em casa, fiz o mesmo bolo, sem goduras, que trouxera desta receita e ficára muito bom. Vale a pena levar a receita.

Foto 8 - Com umas canetas próprias para riscar vidro, o António já sabe escrever os números.

E neste Domingo de Páscoa, depois do almoço, 10h30 no Rio de Janeiro, falámos com os nossos sobrinhos e sobrinhos netos, via Skype. Que saudades deles.

 

 

 

 

 

depois da procissão

Maria Araújo, 15.04.17

 

 

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Ontem foi dia de procissão.

Não tinha intenção de ir, mas combinei com uma amiga bebermos um copo, precisávamos de conversar.

Encontrei o meu mano mais novo e a mulher, fomos juntos ao bar, a procissão ainda estava a decorrer, tivémos de dar uma volta porque era impensável furar a multidão.

No passeio, junto ao bar, sentamo-nos numa mesa, pedimos as bebida, conversámos.

A junta de freguesia da Sé fica em frente ao bar onde nos encontrávamos.

Acabada a procissão, os figurantes passavam junto a nós, iam deixar as vestes alegóricos na junta.

De repente, uma senhora de cerca 70 anos pára à nossa beira e diz:

- Estou cansada de andar na procissão. Doem-me os pés, já não aguento mais.

Levanta a veste e mostra os pés, sem meias, numas sandálias.

- Os meus netos andavam devagar, estavam cansados, uma delas, a mulatinha, anda depressa demais, tinha de a chamar para não avançar e não sairmos do passo. Ai, doem-me os pés.

Comentámos:  - Vimos passar, sim, uma miúda bem gira. É então a sua neta?  

- Sim - respondeu. 

Sabem, eu participo em todas as procissões, por isso, desde quarta- feira que não páro.

De quando em vez, fazíamos um ou outra pergunta, mas o discurso dela era todo seguido.

- Há quatro anos, foi-me diagnosticado um cancro. Fui ao cabeleireiro, rapei o cabelo. Quando fui à médica, ela perguntou-me por que cortara o cabelo. Disse-lhe que queria participar nas procissões. Punha uma peruca e resolvia o assunto.

Ela aconselhou-me a não o fazer. Eu respondi que quem mandava era eu, queria ir, não podia proibir-me. Se tivesse de morrer tanto fazia morrer de cancro como de outra coisa, Deus estava com ela, e ia.

Estavamos muito atentos a ouvir a conversa.

- Sabe, eu paguei 50 euros pelas vestes. Na procissão da burrinha não pagámos nada. Tudo é suportado pela junta de freguesia da São Victor - dizia.

Ficamos admirados. Supuséramos que os fato eram emprestados.

E continuou:

- Para o ano quero ir na procissão da burrinha mas não quero ir a pé, quero ir como o romano, o finório,  que vai deitado, pernas à mostra, e nós fartámo-nos de andar.

Às tantas, ouve-se alguém chamar pela mãe. Era a filha que já despira as vestes, andava à procura dela. As filhas, também. Reclamava que estava na hora de irem para o autocarro.

E a senhora estava tão satisfeita a contar as histórias das procissões que se esquecera das dores nos pés e da hora do autocarro.

Despediu-se de nós.

Eu disse-lhe: 

- Uma Santa Páscoa para a senhora. E não imagina o prazer que nos deu ouvi-la. Adoro escutar histórias.

E a senhora seguiu o seu caminho.

Comentei ao grupo: - Isto é o que gosto. Ouvir histórias de vida de mulheres simples.

Fosse mais cedo,e vivesse perto, convidava-a a sentar-se e beber um copo connosco.

Foi um bom momento.

Uma Santa Páscoa.