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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

mas eu nunca tive um filho!

Maria Araújo, 16.03.17

Tenho uma aula de Pilates, paga à parte da mensalidade, com um número muito pequeno de pessoas. 

Éramos quatro, passamos a ser três porque uma das colegas teve de desisitir devido ao horário da escola.

Uma das colegas, também professora, não tem ido há quinze dias.

E nestes quinze dias, entrou um elemento novo. um homem nos seus 50.

Nestas aulas, usamos a bola Suíça ( Pilates), as bandas, o magic ring, o esparguete (usado na natação), materiais que não são possíveis aplicar nas aulas de grande grupo, com cerca de  trinta pessoas.

Ora hoje, a aula foi com a bola Suíça.

A maioria dos exercícios exigem abdominal forte que nos deixam a tremer e com dor. 

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Quando chegamos  ao exercício "ponte reversa" os pés ficam em cima da bola, os joelhos e as pernas dobradas (conforme imagem).Este consta em: levantamos as costas mantendo a coluna alinhada e vamos fazendo subidas e descidas do corpo , sempre com os pés pressionando a bola.

Depois, procurando o equilíbrio, levantamos alternadamente as pernas.

Um exercício que já havíamos feito, mas ele não.

No final de cada exercício a professora, uma profissional muito competente ( faz-se fila para conseguir senha para as aulas dela) pergunta-nos: " Como estamos?"

E há sempre uma queixa de dor, e depois o meu: " Bem!"

Mas custa! Custa muito!

Ora o senhor anda há pouco nisto, nem sempre aguenta. E quando a coisa complica solta um "aaaaaa" forte e alto. E deixa-se estender no colchão. 

Sai-nos algumas expressões de dor, alguns comentários, que dão para rir.

Ora na ponte reversa, o "aaaaaaaaaaaaa" dele foi tão dorido e alto que me saiu isto: " É pior que as dores de parto!"

A outra senhora, que é mãe, diz " É, é!"

E responde ele: " Deve ser, mas eu nunca tive um filho, nem posso ter, não sei como são."

Retroco eu: " Por isso mesmo. É que eu não fui mãe, também, não sei o que são as dores de parto! Mas estas sei."

A senhora responde-lhe: " Os homens não têm flexibilidade."

Comento: " Mas têm força."

A risota foi geral quando ele nos diz: " Agora estou assim, mas esperai mais dois ou três meses e ides ver como vou ter a vossa flexibilidade."

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O final da aula foi na barra para fazermos os alongamentos: coluna, braços e pernas.

Diz a professora: " Aproveitem que vos faz bem. Quando chegarem aos 80 vão agradecer o que sofreram."

É um facto. Há dor, há sofrimento.

Os resultados? São bons.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a comédia

Maria Araújo, 16.03.17

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Pois na passada terça-feira, fui ver a Comédia a La Carte, dois dias em cena, cá em Braga.

Tinha comprado os últimos bilhetes para terça-feira.

Ora o espectáculo começou com a entrada dos actores no palco e com muitos aplausos do público.

César Mourão começou por saudar os presentes, dizendo que o Theatro Circo é a sala mais bonita do país.

O início da comédia dá-se quando ele conta, com o seu humor característico, que os portugueses, nos espectáculos, são diferentes da maioria dos europeus e do público em geral.

Porquê?

Por que enquanto todos os outros envolvem-se no que acontece no palco, nós estamos sempre à espera que algo corra mal. Dá vários exemplos. Um deles: Stevie Wonder.  

Vêmo-lo ao vivo, pensamos: " como é possível aquele homem cego, toca piano, como é que ele faz? E de repente, Stevie Wonder levanta-se, agradece os aplausos, de repente,  não "vê" os fios que andam pelo palco, tropeça neles e cai.

Ora, se temos uma característica que nos define, se damos mais atenção à desgraça, ao que aconteceu, esquecemos o resto. E, no dia seguinte, alguém pergunta como correu, se gostou, e tal, o que respondemos? "Ah, já não me lembro. Mas eu estava lá e vi quando ele tropeçou e caiu" .

Ou seja, ele quis dizer que estamos sempre alerta para o que pode acontecer de mal, para o imprevísivel.

Começou a representação. Cerca de três minutos depois de ele ter contado a história, ouviu-se um estrondo no palco.

O público ri às gargalhadas, os actores viram-se para trás

Vemos dois músicos levantarem-se. O público continua a rir às gargalhadas, os actores também.

A cena demora cerca de um minuto.

O que aconteceu foi que o baixista, sentado na cadeira em cima de um pequeno palco, caiu de costas.

Os outros colegas tentavam levantá-lo.

Todos se riam, eu também.

Mas de repente, pareceu-me que estava a ser difícil levantá-lo.

Fiquei precupada quando percebi que certamente teria acontecido sido algo mais grave. Que ele não conseguia mexer-se.

Surge então o baixista entre os dois que o levantavam.

Cesar Mourão ria-se. Mas perguntou-lhe o que acontecera e se estava bem.

Ajeita-se a cadeira, responde que está bem, senta-se.

Os aplausos de todos.

Com razão, César Mourão acabara de definir o comportamento do nosso público nos espectáculos. Coincidência ( se as há) algo insólito acontecera.

E não foi propositado, disso tenho a certeza.

Daí para a frente foi só rir, rir, rir.

Nada mais aconteceu de mal. Foi um grande espectáculo.

 

 

 

tu cá tu lá

Maria Araújo, 15.03.17

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Estava preparada para enviar por mail umas cópias de uns documentos, quando o telemóvel tocou.

Convicta que era o trolha (não me lembrei que tenho o seu nome nos contactos) que combinara comigo vir cá ontem e não veio, preciso de um orçamento para obras na garagem e pintura da sala, atendi o telemóvel. 

Quando ouvi uma voz  vibrante e simpática demais, para meu gosto, de uma mulher, pensei " Caramba, estou tramada!"

Então foi o desenrolar de uma conversa tu cá tu lá como se de duas amigas se tratasse.

Perguntou-me de que zona do país eu falava, respondi, e então: "Ah, e tal, vivi aí em Braga, adorei, mas depois tive de regressar à minha cidade. A sua cidade é muito bonita e blá, blá, blá".

E eu desviava o telemóvel do ouvido, porque desenrolou uma quantidade de merdas que não me interessava saber.

Gente, quando convincentes, deitam tanta coisa de si da boca para fora.

Às tantas, depois de  a deixar descarregar a conversa e porque precisava de enviar o e-mail, interrompi-a e disse que não estava interessada no produto.

"Ah, e tal, porque agora mudamos o nome, as coisas funcionam de outra forma, e tal."

Eu insistia que não queria nada, que já tivera duas experiências que resultaram em nada, que não queria, e blá,blá,blá.

Volta a explicar-me que era diferente,  pergunta-me o que foi que correu mal nas vezes anteriores.

Ansiosa por a despachar, e porque não quero MESMO o produto, resumidamente contei.

E regressa à conversa anterior...

Já nem a ouvia. E escrevia na minha agenda " estou farta de ouvir a conversa ao telemóvel da gaja do... que agora é outra coisa qualquer" até que, de repente, indirectamente, a mulher queria o meu NIF.

Eu não me manifestei, volta a usar as mesma palavras e respondo-lhe:

" se tem aí o meu NIF, porque está a pedir-mo?"

"ah, não sei se está a entender, eu não tenho o seu NIF. Eu quero que a senhora Maria V me diga para ver aqui na ficha o que foi que aconteceu naquelas duas vezes que lhe foi recusado o produto".

Não lhe disse que não lhe dava o NIF ( a conversa estava a ser gravada). Mas insisti que não queria nem estou interessada no produto, e se um dia quiser entrarei em contacto com a empresa.

Quando finalmente percebeu que não lhe daria o NIF (era o que faltava!) acabou a conversa ( que estava a ser gravada) dizendo que fora um prazer falar comigo, que fui muito simpática, que agradecia do fundo do coração a minha simpatia. E desligou.

Eu entendo o quanto estas pessoas precisam destas chamadas para ganharem a sua comissão. Muitas foram as vezes que o fiz para as ajudar.

Mas depois vinha a carta a informar-me que não era possível ter o produto.

Lamento. De coração.

 

 

 

 

 

 

 

 

comédia

Maria Araújo, 14.03.17

gosto de rir, gosto que me doa o estômago de tanto me rir, mesmo sabendo que as minhas vincadas rugas  de expressão mais se acentuam.

quando soube que eles vinham cá, liguei de imediato para o Theatro Circo para reservar bilhetes. já só haviam 5 na 1ª plateia, que remédio tive eu dar 25 euros por cada bilhete.

mas não choro o dinheiro que dei.

logo à noite, quero rir a valer. preciso.

quem vai comigo, também precisa. e mais do que eu.

 

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