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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

um telefonema

Maria Araújo, 23.03.17

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 (imagem daqui)

 

Tinha acabado de almoçar. A Sofia, que come muito devagar, ainda ia a meio.

Toca o telemóvel dela.

Pela conversa percebi que alguém estava a fazer-lhe um pedido.

Ela dizia que gostava de o ver, que não sabia se conseguiria fazer o pedido, que ia tentar, que até lhe ficava bem, que não se sentia à vontade para lhe dizer nada...

A Sofia ria-se, ao mesmo tempo que as palavras " vou tentar, não prometo, eu gosto, não sei se ele vai aceitar..."

Percebi que seria a mãe do namorado a fazer-lhe um pedido.

Sentada à mesa, em frente a ela, observava a cena. Uma das mãos ia ao rosto enquanto a outra segurava o telemóvel. E ria-se.

Ria-me, também.

Às tantas, escuto-a dizer: " E se ele aparar, não gosta?"

Foram cerca de dez minutos que a conversa durou e a Sofia tentava explicar que mesmo sendo muito amiga não se sentia à vontade para lhe dizer nada.

Desliga o telemóvel e a minha pergunta de rajada:

- A mãe do teu namorado quer que ele corte o bigode?!

- Não é a mãe do meu namorado. É a mãe do R Ela não gosta de ver o filho com bigode e quer que eu fale com ele e sugira que o corte. Se tiver algum encontro de família e amigos podem não gostar, não quer que ele apareça com bigode e ela não tem coragem para lhe dizer.

Pergunto:

- Mas ele só tem bigode? Ou tem barba, também? É que só o bigode  pode não o favorecer, mas se tiver a barba completa o visual...

- Tem, mas ela não quer. E nem lhe fica mal. Eu até goto de o ver. Mas quem sou eu para mandar cortar. Sou amiga mas não posso contrariar o gosto dele. Meto-me em cada uma! Lá vou eu fazer de transmissora de recados. Mas quando estiver com ele, vou dizer-lhe que foi a mãe que me ligou a pedir que lhe falasse para cortar o bigode. Era o que faltava assumir o pedido como se fosse meu.

- Metem-me em cada uma!

Mais um momento de gargalhada.

De facto a mãe não tem coragem para falar com o filho, passa o que é tarefa sua para a amiga do filho?

Pobre Sofia!

 

 

 

 

 

 

tartarugas no quarto

Maria Araújo, 22.03.17

Há um mês que não via a minha empregada, que vem quinzenalmente limpar a casa. Tem uma chave de casa para entrar quando não estou.

Hoje, era o dia de vir, fez ium qaulquer comentário por estar em casa. Não lhe dei satisfações da minha ausência nesses dias.

Depois do almoço, e porque a gata ficou toda a manhã aos pés da minha cama no bem bom do edredão,enquant fui para o ginásio, fomos fazê-la.

Ela trabalha um dia por semana em casa da minha irmã. 

E contou-me as malandrices do gato Mickey, adoptado há  seis meses do gatil.

De repente, fala-me em tartarugas.

- Tartarugas?!,- perguntei.

- Sim a sua irmã tem tartarugas em casa.

- Como assim, tartarugas? Estive lá em casa no sábado e não vi nenhuma tartaruga.

- Sim, tem duas tartarugas no quarto do menino Duarte.

Foi então que me lembrei que o meu sobrinho, que vive no Porto, mudou de casa recentemente e como não tem espaço para ter as tartarugas, trouxe-as para casa da mãe e deixou-as no seu quarto.

E contou-me o que lhe acontecei no dia em que viu as tartarugas. Assustou-se.

Estava sozinha, não tinha sido avisada de que havia alguém de novo em casa.

Então, entrou no quarto, vai a puxar o estore e vê-as. Assustou-se. Gritou.

- E agora? O que é isto? Estou sozinha em casa. Que medo! - contava ela o que falava no momento que as viu, ela que detesta este tipo de animais.

E as tartarugas dentro de um aquário, levantavam a cabeça e olhavam-na.

Cheia de medo, queria fugir, mas tinha o trabalho para fazer.

Ás tantas ouve um "poc!". As tartarugas mergulharam. Ela, cheia de medo, não sabia o que fazer. Fugir?

- E se elas saem do aquário? Estou sozinha. Que vou fazer?

Fechou a porta do quarto e foi limpar a casa.

Quando a minha irmã foi pagar-lhe ( vive no prédio em frente) contou-lhe o que se passou, o susto que teve.

A resposta da minha irmã:

- Já viu a minha vida? Eu que  sempre disse  que não queria animais dentro de casa, a Sofia traz-me dois gatos  e o meu filho que mudou de casa, não tinha espaço, trouxe as tartarugas para cá. Mas teve de as deixar no quarto, não a haver luta entre gatos e tartarugas.

E enquanto ela contava a história e fazia os gestos da sua reacção, eu ria-me às gargalhadas.

Mas a verdade é que eu também me assustaria.

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carro no parque

Maria Araújo, 22.03.17

Quando estamos livres dos empréstimos  e o que recebemos é para as despesas da casa e para aqueles mimos que esperamos anos para os ter, ou se os tinhamos era naquele mês do subsídio de férias, ficamos mais desafogadas, e damo-nos a permissão de fazermos o que queremos do nosso dinheiro.

Frequentei dezassete anos um ginásio, que gostei, mas nunca gastei um cêntimo com toalhas, parque, ou ténis, que por vezes vendiam. Nem tampouco fui a um jantar ou festa de Natal.

Mudei de ginásio em Julho de 2015. A mensalidade é razoável. Este ano aumentou 1 euro.

Contudo, as condições são das melhores que já vi, a simpatia dos funcionários e dos professores conquistam as pessoas.

Óbvio que têm as suas falhas.

Eu estava bem. Mudei para melhor.

Neste tempo que estou no ginásio, comprei roupas de fitness, nos saldos e/ou promoções, comprei pacotes de tratamentos de SPA, comprei cremes tratamento de rosto.

Não comprei por comprar. Embora um dos funcionários seja um vendedor do caraças. Tem jeito.

Ora há tempos vi um campanha: parque de estacionamento e toalhas, por um ano, por 100 euros.

Na altura pensei aderir. Costumo levar as toalhas de casa, estava habituada aquando do ginásio anterior. Deixei passar o tempo, a campanha acabou. Cacifos são muitos não me interessa  ter um só para mim.

Nos dias quentes o carro fica ao sol, nos dias de chuva é uma chatice, não gosto de levar o guarda-chuva para o ginásio, molho-me, pois claro.

Pensei no assunto e decidi saber o preço, anual, do parque. Em tempos andava pelos 100 euros. Mensalmente 9,90.

E hoje perguntei. "Por ser para si, são 81 euros" ( malandro o Luís. Sabe vender).

Mas antes de tratarmos do assunto, foi saber de outras propostas: parque + toalhas+ cacifo; parque+ cacifo.

Como as duas primeiras iam além do valor que pensara, optei pelo parque.

Assinei o contrato, paguei e, a partir de amanhã e até 1 Abri de 2018, o meu carro deixa de ficar ao sol e à chuva.

Estaciono no parque, entro no elevador e vou à minha ginástica. 

É tão bom usufruir do que gostamos sem ter de fazer contas ao dinheiro!