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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

NÃO QUERO MORRER…..

Maria Araújo, 15.03.14

Uma carta com data de fevereiro passado, recebida hoje, no meu e-mail, julgo ser de conhecimento de muitas pessoas, sobre um assunto que me toca e aos milhares de portugueses que se encontram em situação precária, " não quero morrer..."a carta de Júlio Isidro, aqui, no meu cantinho.

 

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Apareceu, por mão amiga, este texto de Júlio Isidro que dá para este fim de semana dar ânimo a todos os que bem pensam sobre o nosso futuro.

 

 

NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!

NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!

 

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.

Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

 

Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.

Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.

Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.

Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.

E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.

Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.

Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.

Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.

Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.

Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.

Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.

E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.

Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

 

Júlio Isidro

Will you do the Fandango?

Maria Araújo, 14.03.14

 

No FB encontrei esta imagem que me levou de imediato para a lindíssima música dos "Queen", "Bohemian Rhapsody",  cuja letra foi escrita por Freddie Mercury (uma letra que parece mostrar os conflitos da sua vida interior), é na minha opinião, das melhores músicas desta banda. E é nesta parte

 "I  see a little silhouetto of a man, Scaramouche , Scaramouche will you do the fandango? ", que atinge o seu apogeu, seguida da parte rock, que me deixa completamente "alucinada" e depois a calma,..."Nothing really matters, Anyone can see, Nothing really matters, Nothing really matters to me".

Adoro, adoro, esta música.

 

Depois, lembrei-me do filme "Scaramouche", visto há muitos anos,  que seria bom lembrar (nos dias que correm há imensos scaramouche).

 

 Scaramouche

 

É  um palhaço (personagem da commedia dell'arte) que sempre consegue  se esquivar de situações difíceis que se encontra, geralmente à custa de álguem.  "Scaramucia", nome original, significa escaramuça.

 

Finalmente, o fandango, a dança... Associo à minha juventude.

Quando fazíamos alguma asneira mais grave, costumavamos dizer "ai, quando a tua mãe souber, vais dançar o fandango!" (significava que ias apanhar uma tareia).

 

fandango

 

No Ribatejo, o fandango apresenta um carácter talvez único em toda a península, sendo dançado unicamente com os pés, como num jogo, que nada tem a ver com o sapateado andaluz com os dançarinos colocados um face ao outro. Os braços estão imobilizados junto ao corpo e as mãos são encostadas à parte superior do peito com os polegares estendidos e encostados às axilas. A arte desta versão ribatejana do fandango está no jogo de pés que inclui algumas mudanças de flexão das pernas com elevação lateral com as mãos a descer e a tocar os pés de forma não sincronizada. O corpo mantém-se estático durante praticamente toda a dança e alguns dançarinos são tão hábeis que chegam a dançar com cestos ou copos na cabeça

 

O que fazer

Maria Araújo, 13.03.14

quando uma amiga tua está deprimida, diz que não presta, que é uma burra, que não consegue enfrentar o local de trabalho, que sente que os amigos(as) estão a fugir (o que não é verdade), que diz que vai perder a família e o emprego, que não saber cuidar da casa,  que anda feita barata tonta pela casa e não faz nada, e tu tentas arranjar as palavras adequadas para lhe dar coragem e força, ela manda-te calar porque não aguenta e, de repente, o silêncio invade as nossas almas?

Hoje, a minha tarde foi dar o pouco apoio que sei e posso a uma amiga.

 

 

Os tempos compostos

Maria Araújo, 13.03.14

(imagem da web)

 

 

S, a minha penúltima sobrinha mais nova, tem 15 anos, está no 10º ano, é boa aluna, aplicada, responsável.

Mas como a maioria dos alunos, tem um calcanhar de aquiles, o dela é Português (teve 14 no final do 1º período, a sua nota mais baixa) ou seja, a gramática do Português.

Na hora do almoço chegou a casa chateada com a professora... e com "os tempos compostos".

Dizia ela: "Não sei por que temos Português, não sei o que são tempos compostos, não sei para que serve o Português para a minha vida profissional."

Numa rápida intervenção  expliquei o que são tempos compostos, quais os verbos auxiliares e como são usados. Mas não ficou convencida. Continuou a resmungar.

O primo D, o antepenúltimo sobrinho mais novo, ouvia e não dizia nada (tem a mesma professora da S).

Uma dada altura, ele comentou " eu não desgosto da professora".

Perguntei à S se não registava no caderno diário o que a professora dava na aula.
Respondeu-me que sim. Pedi para o mostrar, mas ela disse que não tinha os tempos compostos (coisas de adolescente, valha-me Deus, sempre a resmungar).

Nos tempos idos, era obrigatório ter uma gramática de Português, um bom suporte no nosso estudo e aprendizagem.

Pedi-lhe para procurar na web, de certeza que encontraria exemplos simples que a ajudasse a perceber este parte da gramática.

O que encontrou, não foi de seu agrado. Era confuso para ela (perceber que o verbo ter ou haver são auxiliares do verbo que quer conjugar e este passa a particípio passado, talvez porque não tivesse aprendido do 9º ano, foi complicado).

Eu rebatia na explicação, falei-lhe dos tempos compostos de Inglês, ao que retrocou " quem dera que o Português fosse tão fácil como o Inglês!"

Encostada à parede, na cozinha, com ar de quem não quer entender a gramática, volta a insistir "não sei em que é que o Português vai servir para a minha vida profissional!"

"Vai servir e muito. Vais saber comunicar correctamente com os outros".

"Mas que interesse tem a gramática e esta coisa dos tempos compostos para a minha vida?"

Fui ao pc, escrevi tempos compostos", escolhi um link e apareceu-me um esquema muito simples com estes tempos, chamei-a, mas já estava sentada à mesa, com os headphones a ouvir música.

Chamei-a novamente. Não me ouviu, ou não quis ouvir-me, saí chateada da sala.

E o D continuava a ver filmes no seu telemóvel.

Almoçamos tranquilamente e não se falou mais no assunto.

Mas sei que, em casa, ela ia aplicar-se e tentar perceber como funcionam os tempos compostos. Conheço-a bem.

Adolescentes (eu também tive as minhas teimosias)!

 

 

 

 

 

 

A empregada cá de casa

Maria Araújo, 12.03.14

Cantinho perguntou à empregada cá de casa (eu): "o que fizeste hoje, todo o dia?"

"Esta é a semana que a empregada (a outra) não vem, faço eu as tarefas ( e faço melhor que ela).

De manhã, fui ao ginásio.De tarde, limpei o pó, aspirei,passei o brilho no chão, lavei a casa de banho.

Falta a tarefa que mais me custa fazer: passar a ferro (se fosse uma montanha de roupa, já tinha aliviado o cesto)."

E cantava: "Cheira a lavado, faz do branco, branquíssimo."