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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

660 - Deliciosa praia

Maria Araújo, 24.06.10

Ontem, a noite de São João foi passada aqui neste cantinho. Estava uma noite fresca. Aquele burburinho das pessoas que andam na rua com os martelos e o som dos altifalantes na avenida, eram este ano fracos. De quando em vez, ouvia-se o som de um martelo e/ou da vuvuzela(parece que pegou moda também), mas nada como antigamente.

Tenho a sorte de , nas traseiras  do meu prédio, ver o fogo de artifício. Nada de fabuloso, como o que vi ontem na TV em directo do Porto. Óbvio que um fogo de artíficio no rio, tem outra magia.

Estava com ideia de ir à praia logo de manhã, mas deduzi que estaria fraco, uma vez que a noite esteve fresca. Não pus o relógio a despertar. Precisava de descansar o corpo.

Acordei cedo, mas uma voltita ou outra na cama, acabei por dormir até ao meio-dia. Despertei com o telefone, que tocava.

Decidi arriscar uma visita à praia.

Chegamos por volta das 14horas. Tempo encoberto com o sol a espreitar.

Almoçamos numa esplanada e fomos para a praia.

Muitas pessoas na praia, como num dia normal de férias de Verão.

A praia estava óptima! Não corria vento, a maré cheia, mas serena.

Sentámo-nos a brincar com a bola, que a Sofia não dispensa.

Fomos ao banho. O primeiro impacto foi de frio. Mas a água estava deliciosa! 

De vez em quando ouvia-se um apito forte. As pessoas arriscavam ir mais longe na água. O nadador-salvador andava de um lado para o outro sempre atento. Grande responsabilidades a destes jovens.

Regressámos à toalha. O Sol ainda deliciava os corpos.
Passei por um soninho leve. A Sofia chamava-me para jogarmos a bola.

Nem sempre a ouvia.

Por volta das 18 horas decidimos voltar, mas a praia convidava a ficar mais tempo. (Um dia destes quero ver o pôr-do-sol. Adoro vê-lo descer no horizonte, junto ao mar).

Voltámos à esplanada para tomar um café e ela comer o gelado do costume.

No carro, e como sempre, ela encosta-se no banco, aconchega o casaco ao corpo e adormece.

Dias de praia como o de hoje não há. O Verão, na praia, quase sempre é ventoso ou nublado.

Amanhã é dia de Selecção, fico por cá.
Sábado, regresso à praia.

 

 

 

 

 

 

 

659 - São João

Maria Araújo, 23.06.10

Depois do Santo António

Vem o São João.

No fim o São Pedro

Para a reinação.

 


Penso que era este o refrão que minha mãe cantava enquanto fazia a lida da casa.

Nesta época, era frequente ouvi-la cantar, talvez para esquecer as armaguras da vida.

Não me recordo de ir à noite de São João, enquanto criança. Mas, em adolescente, juntávamos um grupo grande, e tinhamos permissão de madrugar.

Era uma noite especial. Era nesta noite que aproveitavamos para nos vingarmos das proibições que sistematicamente nos impunham e não tinhamos hipótese de reclamar. Nesta noite, e nas férias de Verão. Belos tempos. Muito divertidos com sabor a amizade, alegria, inocência, simplicidade.

Os anos passam e já não vemos estas festas com o mesmo entusiasmo de outrora.

Raramente vou à noite de São João. Moro a 100 metros da avenida principal. Mas não gosto de confusão, das pessoas que insistem em passar o alho porro no nariz, bater fortemente com o martelo e/ou martelão nas nossas cabeças.

Já não tenho "pachorra".

Hoje há uma festa, depois das 23 horas, no recinto mais importante de Braga, o Largo do Paço, onde tem as instalações e reitoria da UM.

A festa é organizada pelo Fitness Club, ginásio que frequento, Cidade 21, Sabão Rosa e outras instituições.

Ainda não sei se vou.

Motivo: paga-se 10 euros e tem-se direito a uma bebida. 
Rídiculo. Não concordo. Se há festa na rua, onde se pode bailar, comer e beber, por que se há-de pagar 10 euros para dançar "vinil"?

Vou pensar.

Mas, logo, ao final da tarde, vou beber um "fininho", numa das muitas esplanadas requintadas que há no centro desta cidade.

Está decidio. A noite, ver-se-á. Até porque amanhã não preciso de ir à escola.

 

 

Irei ao São João

Ver os rapazes dançar

O alho porro na mão

Para as moçoilas conquistar.

 

 

Se pensam que é com o alho

Que se conquista as moçoilas

Ponham-no atrás da porta

E a inveja afastará.

 

Já tenho o manjerico

Que comprei na minha escola

Na feirinha solidária

Para a comunidade ajudar.

 

São João trouxe o calor

Que Santo António não teve

Espero que a chuva não venha

Alegrar o São Pedro.

 

 

E estando eu pouco inspirada

Nesta época de romaria

Espero que entendam

A minha  poesia.

 

Bom São João para todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

658 - Orgulhosa

Maria Araújo, 20.06.10

 

Sexta-feira, houve arraial minhoto na minha escola.

O primeiro que se realizou, há uns anos atrás, foi surpreendente. A partir desse ano, na última Sexta-feira da última semana de aulas, o arraial acontece.

Há cerca de três anos, começou-se a incluir no arraial, as marchas populares. Com a participação dos alunos, incluiu-se também padrinhos para cada um dos grupos, na sua maioria professores ( aqueles que eu jamais pensaria terem este papel).

Este ano não estava com grande vontade de lá ir. Sentia-me um pouco cansada . O ar abafado que fazia nesse dia, pôs-me com vontade de fazer nada. Apenas descansar.

O gato da Sofia não tinha comida. Depois do almoço, fomos comprá-la e dar de comer ao bichano. Como evito andar de carro na cidade, fomos a pé.Mas eu calçava sapatos de salta alto...

Pelo caminho, parei numa loja, enquanto a Sofia, mais uma vez, perdia-se na ProMais, o que me deu algum jeito, pois ela detesta lojas de roupa. Como adoro vestidos, comprei um, já em promoção (ai crise que antecipas os saldos!), que vai ser estreado no jantar dos Jubilados, da minha escola.

Decidi não ir ao arraial. Mas, para surpresa minha, a minha irmã chegou cedo do trabalho (esta mulher trabalha cerca de 12 horas por dia) . Vem sempre buscar a Sofia por volta das 21:30 h (fico danada porque não são horas de se chegar a casa, fazer jantar e tratar das tarefas da casa e da educação dos filhos, mas ok! Ela é que sabe).

20h30, um final de dia bonito, temperatura agradável, pensei: “que vou ficar eu aqui a fazer dentro de casa? Preparar as reuniões? A vida lá fora também é importante!”

Jantar, duche, roupa prática,  máquina fotográfica, e saio de casa por volta das 21:45h, rumo à escola.

Dirigi-me ao recinto da festa. Muitos pais, muitos professores, muitos alunos! E a noite estava linda!

Decorriam os jogos característicos destes arraiais, organizados pelos grupos de Educação Física e Matemática.

A barraquinha das pipocas, organizada desde há anos, pelos professores de Ciências, é a mais procurada pelos pequenotes.

Quando me aproximei para ver as marchas, para desilusão minha, era a última.

Contrariamente aos anos anteriores, estas começaram mais cedo. A única que vi, gostei.

A seguir houve uma passagem de modelos, organizada pelas professoras do curso de costura. As adolescentes portaram-se muito bem, no desfile. Vestidos feitos por elas, dos mais diversos modelos, foram muito aplaudidas pelo público. Este acabou em apoteose com o desfile dos noivos.  Mereceram os aplausos. Estas alunas(os), com dificuldades de aprendizagem, aos 15 anos, são orientadas para os cursos que a escola proporciona(CEFs).

Depois disto, actuou o grupo de cavaquinhos, constituído por professores e funcionários(as) da escola, e , para acabar a noite, um grupo musical,  contratado pela escola, de que faz parte um colega de Religião e Moral, arranca com umas quantas músicas que pôs o pessoal a dar um pé de dança.

Pais e filhos já tinham ido para suas casas. Ficaram os professores e alguns familiares.

Divertido? Foi. Muito!

Valeu a minha decisão? Sim!

Regressei a Braga por volta da 1 hora.

Dormi poucas horas.

Ontem, depois da minha aula de hidroginástica, estive a preparar as reuniões de avaliação. Á noite, havia o final das actividades do ano lectivo da escola, com representações  alusivas aos Cem Anos da República Portuguesa, no Theatro Clube.

Os alunos da minha DT iam cantar a canção  “Ebony and Ivory”, que faz parte do livro escolar.

O tema estava bem “encaixado” nos Cem anos da República, visto que se falava de guerra colonial,  25 de Abril, arte, literatura, poesia, pelo que a canção não ficava fora de contexto.

Decidi, quase em cima da hora, preparar um powerpoint com  imagens de crianças.  Há alguns meses atrás havia retirado deste blog  algumas imagens que me serviram para um aula de formação, e outras que fui procurar aqui na internet.

 A letra da canção acompanhava as imagens. Escolhi as mais sensíveis e mais apelativas que encontrei.
Foi espectacular! Os meus alunos estavam lindos!

Eles com calças pretas, T-shirt branca, colete preto e gravata ao xadrez preto e branco. Elas, calças brancas, T-shirt preta, écharpes compridas, brancas, colocadas na cabeça, em forma de turbante, caíam pelos ombros.

Dou os parabéns à minha colega de Educação Musical que, com muito gosto e imaginação, os vestiu muito bem. A canção saiu da voz de dois primos, bons alunos, seguidos dos colegas que, mais atrás, cantavam o  refrão, com o powerpoint como  pano de fundo.

Fiquei orgulhosa. Com os alunos, que cantaram muito bem. Com a vivacidade que deram à letra, e porque as imagens atingiram o objectivo desejado: “todas as crianças têm direito a viver felizes e em harmonia, lado a lado, sejam elas brancas, amarelas, negras, vermelhas…”.

E a festa continuou com mais participações de outros alunos. Congratulo-os a todos.

O ensaio tinha sido muito confuso.

Ontem, tive a sensação que os alunos se esmeraram para que tudo saísse bem.

O  ano lectivo acabou em pleno para todos.  O trabalho foi muito.

Preparar estas crianças não é fácil. Mas dá prazer ver que, no final, tudo corre bem.

E elas surpreenderam-nos.

Parabéns a todos!

 

 

 

(1ª imagem do powerpoint, do blog lontrices)

 

 

 

 

Outras imagens retiradas da internet:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

657 - Desafios da escrita

Maria Araújo, 18.06.10

(Continuação do texto deste blog)

 

"O sonho"


O som do piano que antes incomodara a vizinhança, torna-se , agora, companhia daquela serena noite de Primavera.
Maria sentia-se cúmplice deste momento de prazer.
Deixa-se envolver pela melodia, por Martin, pelo seu rosto, pelo seu cabelo despenteado, pelos dedos. Oh! Os dedos! Penas que tocam quase imperceptível as teclas do piano.
E estas cediam. Deixavam-se tocar. Deixavam soltar a música .
- Gostou, Maria? - perguntou-lhe, despertando-a do seu sonho.
- Belo! Obrigado. – e sorriu , tocando levemente os seus dedos nos de Martin.
-“Molto vivace”, agora? – pergunta ele com delicadeza.
- Desculpe-me, Martin. Mas a noite está a ficar longa. Sinto-me cansada. Amanhã, talvez!
- Sim. A noite está longa. Não quero incomodá-la. Vamos ter muito tempo, aqui. - acrescenta Martin, observando o rosto pálido de Maria.
E, delicadamente, levanta-se, toma-lhe a mão,e diz-lhe: -Acompanho-a a casa.

 

 

 

656 - Allegretto

Maria Araújo, 17.06.10

 

(continuação do post 655 , "desafios da escrita", a consultar nos comentários deste blog.)

 

  

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Allegretto

 

 

 

Maria deixou-se levar pela mão que puxava a sua. A música, a sensualidade dos seu pensamentos, fizeram-na esquecer que  fora sozinha.

Martin senta-a numa cadeira gasta pelo tempo, e pergunta-lhe:

- Como te chamas?

Ainda a sonhar, ela olha-o fixamente e responde: -Maria.

- Martin- apresentou-se, com um sorriso acolhedor.

Senta-se no banco e, com os seus dedos esguios, percorre as teclas de ébano e marfim do seu

piano.

Um arrepio percorreu o corpo de Maria. O som do piano, junto a si, tinha agora outro sabor.

-Chopin!- pronuncia ele. –Para ti, um Allegretto, único, especial .

Delicadamente, os dedos de Martin amaciam as teclas, e a música embala o corpo de Maria.