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O gato da minha sobrinha

por Maria Araújo, em 25.08.09

 

 distraxa  por você.

 

 

 

 

Minha irmã mais nova foi de férias com os filhos.
A minha sobrinha queria levar o gato para Barcelona, mas eu adverti-a (ela pensava que o gato poderia viajar no seu colo no avião) que seria melhor ficar por cá .
Assumi que ficava com ele, enquanto estivessem fora.
A solução seria  o gato vir para minha casa, um pouco céptica de que iria dar-me bem com o bichano, visto que tenho plantas, não posso dar-lhe mimos, nem tampouco pegar nele, pois fui operada recentemente à vista e estou proibida de ter animais dentro de casa.
O meu sobrinho achava que o gato iria sofrer com a mudança de ambiente e iria afectar psicologicamente o animal.
Como eu tinha algum receio do comportamento do animal aqui dento, peguei nas palavras do meu sobrinho e decidi que iria todos os dias a casa dar-lhe de comer e fazer-lhe alguma companhia, (já se viu eu ter de fazer companhia ao gato, e não este a mim, lol).
Antes da viagem, choveram as reclamações da miúda, a dona do gato. É que ele gosta de roer os fios de electricidade, os cortinados, saltar para cima da máquina de lavar e muito mais, logo está proibido de entrar em certos compartimentos. Com as pessoas dentro de casa, está autorizado a entrar no quarto da minha irmã, porque tem varanda, e ele adora estar lá sossegado, embora há algum tempo ele tivesse caído para a rua.
Pois bem, comecei esta tarefa na passada Quinta-feira, no final da tarde. Estava tudo normal. Coloquei alguma comida no prato, mudei a água e deixei-o, embora preocupada, pois senti que o animal estava mais triste.
No dia seguinte, com o coração apertado, estava ansiosa por o ver, mas como tinha uma saída com umas amigas a Vila do Conde, só poderia lá ir ao fim da tarde.
Por volta das 19h30 fui lá a casa,  acompanhada de uma das amigas.
Entrei. Fiquei triste. O gato não tinha tocado na refeição que eu deixara no dia anterior.
Abri a porta da varanda, mudei a água. Ele não tocava na comida. Eu não sabia o que fazer. 
Regressámos à cozinha e conversando com a minha amiga, de repente, vejo o gato comer com um apetite devorador.
Chamei-a à atençlão. Comentou que pode estar habituado a comer quando tem pessoas dentro de casa, daí não ter comido o dia inteiro.
Decidi no Sábado passar o dia lá em casa. Contrariamente ao esperado, fui de tarde.
O gato tinha comido uma parte da refeição que eu havia deixado. Miava a chamar à atenção.  Enquanto eu mudava a água, falava para ele, como se de uma criança se tratasse, emitindo alguns miaus também.
Deixei-o entrar para a sala enquanto eu estava no pc,  na internet. De vez em quando, desaparecia. Ia procurá-lo. Estava sossegadamente sentado na varanda ou no seu leito de descanso.
Quando o deixei vinha mais tranquila. Senti que o bicho percebeu que não o deixaria sozinho.
Domingo regressei, também de tarde. Tinha o prato vazio. Mais uma vez, fiz as tarefas habituais.
Decidi dar um jeito à roupa que estava no cesto. Enquanto isso, o gato andava por por perto ora brincando com os cortinados, ora perseguindo algum mosquitito que por ali passeava.
Todos estes dias, quando abria a porta, receava que o animal estivesse junto a ela e me fugisse quando eu entrasse. Mas não. Nunca isso aconteceu. Encontrei-o sempre na cozinha, no seu cesto, “lançando” uns miaus, quando me via entrar.
Hoje regresso para mais umas horas de ama do gato. Entro e qual não é o meu espanto, vejo o gato no hall, a porta do armário aberta. Um candeeiro e algumas pétalas de rosas secas jaziam  no chão.
Soltava os seus miaus, enquanto eu resmungava, meigamente, com ele.
Prato sem comida. Na embalagem já pouco havia. Coloquei a dose que me recomendaram, mudei a água e fui abrir a porta da varanda.
O gato não comeu enquanto eu não voltei à cozinha.
Arrumei umas coisas. O gato miava. Em resposta , eu miava também e falava com ele. Sinto-o perto da minhas pernas. Seu rabo comprido batia nelas. O bicho sentia-se confortável e acompanhado.
Quando ia para o quarto olhava-o e dizia “Vem gatinho. Vem para a varanda”. E ele olhava-me, soltava um miau e seguia-me.
Ele adora estar debaixo da cama. Por vezes, desaparecia. Chamava-o.
Quando tentava meter-se no meio dos fios de electricidade, eu dizia “não!”, e ele parava.
Apetecia-me pegar nele. Por vezes passava os meus dedos no pêlo macio. Queria mimos.
Enquanto me preparava para sair, advertia-o “Porta-te bem. Amanhã volto. Trago-te mais comida”.  E despedi-me dele com um “Até amanhã gatinho”, em vez de  Destruction, ou Distraxa, nome que lhe puseram em virtude de ser o destruidor de tudo, quando foi adoptado lá em casa.
O gato é lindo. Não tem uma pata mas é versátil e adora que lhe dêem atenção. Aliás, está cheio de mimos dos meus sobrinhos.
São 1:30h. Daqui a umas horas voltarei. Espero vê-lo tranquilo e dedicar-lhe mais umas horinhas de atenção e liberdade.
Por que os animais merecem todo o nosso carinho e atenção, não quero sofrer com esta solidão durante as horas que estou no trabalho. E nas férias é uma dor enorme estar longe deles.
Por estes motivos não quero amimais em minha casa.
 
 
 

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1 comentário

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De comecardenovopt.blogspot.com a 25.08.2009 às 11:39

Saíu-me uma verdadeira « ama de gatinhos »!!!! Tem toda a razão: os animais têm sentimentos, às vezes mais sinceros que nós, humanos, portanto, quem não estiver apta a entendê-los como seres que merecem toda a atenção e carinho, não deve tê-los. Pelos mesmos motivos, eu não quero em casa nenhum desses queridos animais. E agora, quando deixar essa função, vai sentir saudades do bichinho. Um beijo e que tudo lhe corra bem

Emília

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