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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

29.01.16

às vezes, fico com saudades

Maria Araújo

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No caminho para a clínica de fisioterapia, passo por uma que foi loja de candeeiros e alguns eletrodomésticos.

Quem entrava nela, tinha ao fundo um pequeno gabinete onde o " rapagão" fazia projetos de eletricidade para as grandes empresas e EDP.

O negócio cresceu, mudaram de instalações mas a loja continuou as suas funções de venda ao público, até há cerca de dois anos, que fechou e, entretanto, passou a ser, desde último verão, um restaurante/bar de tapas.

De tarde, quando passei à porta, olhei-a, como sempre, mas desta vez ,na minha mente passaram algumas cenas das minhas rápidas entradas na loja, perguntar a quem estava ao balcão se o gajo estava,se podia dar-lhe uma palavra.

E eu aparecia à porta do gabinete, e/ou a pessoa que estava ao balcão ia avisá-lo que alguém queria falar-lhe.Por vezes, o pai estava no gabinete. E eu corava, porque não esperava vê-lo.

E as minhas palavras "Olá! vamos sair logo à noite?"

"Em princípio sim, mas se não puder, ligo-te", ou "hoje não posso, amanhã vou para fora; depois de amanhã; ligo-te um dia destes" (não havia telemóveis, o fixo funcionava muito bem, os encontros eram bem combinados, nada falhava).

E eu sorria de contentamento, saía da loja super feliz e apaixonada, atitudes normais das raparigas nos 20tes.

Hoje, caminhava na rua sorria e vivia aqueles pequenos minutos de entrada e saída da loja, e perguntava-me como foi possível ter a ousadia de lá entrar, esquecer quem estava, apesar de tremer com os nervos, e combinar encontros com a pessoa por quem me apaixonara. 

Passaram muitos anos.

Às vezes, fico com saudades de (re)vê-lo.

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