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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 10.10.17

Estava eu na fisioterapia, deitada de rabo para o ar e enquanto a técnica auxiliar fazia a massagem à perna esquerda, falava-se de baptizados e festas de aniversário de casamento.

Tudo começou quando, na cama ao lado, a dona Dores, 88 anos, que faltara ontem à fisioterapia, e comentei que não a vira, respondeu que tivera o baptizado de um bisneto.

Às páginas tantas, a técnica diz que o marido é agnóstico e que de certeza que não quer festejar os 25 anos de casamento, porque não gosta de festas, que não é homem para estas coisas. Eu comento que se ela lhe pedir ele até aceita, e vem à conversa as casas de festas, o dinheiro que se gasta, volta a conversa para o baptizado do bisneto da dona Dores, que a festa foi muito bonita, que os pais da criança não são casados, e tal.

De repente, a técnica auxiliar pergunta-me sobre os meus sobrinhos, ao que respondo que só uma casou e baptizou a filha, no mesmo dia do casamento e porque o marido fez questão em casarem.

E que os meus sobrinhos não ligam nada a religião, embora fossem baptizados e fizessem a primeira comunhão, mas uma delas não quis andar na catequese não fez nenhuma comunhão. E que um tio foi pai e convidou-a para madrinha da filha ( ainda não houve baptizado). Ela ficou muito feliz pelo convite e foi quando eu comentei que ela não podia ser madrinha visto não ter feito qualquer comunhão e o crisma, que me respondeu que não queria saber disso, que arranjaria maneira de falar com o padre e que seria madrinha e ponto final.

Contando eu isto, eis que a dona Dores, deitada na cama, entra na conversa e com o seu jeitinho de idosa diz: " Ela não pode ser madrinha. Se não fez nenhuma comunhão nem foi crismada, não pode ser. Que carago! Que raio de educação os pais lhe deram? Não pode ser. Ela não pode ser madrinha"

De repente comento eu " na minha ingenuidade": "Sou sincera. Não sei por que não há-de ser madrinha. Sou católica, fiz as comunhões e o crisma, mas não concordo que a igreja dificulte as coisas..."

E a dona Dores, repito, com o seu jeito crítico, volta à carga.

Desato a rir. Tentei abafar as gargalhadas. A técnica auxiliar escondia o rosto de tanto rir do meu riso.

A dada altura, não conseguimos abafar as gargalhadas que nos saíam sem querer.

Às tantas, diz a técnica para a dona Dores:

" O meu filho tem 19 anos, foi baptizado, fez a comunhão mas disse que não queria ser crismado. Eu não o vou obrigar, logo ele também não pode ser padrinho de ninguém".

Aí a dona Dores calou-se. 

E as nossas risadas voltaram só de recordarmos as palavras da senhora.

Já na rua, ria-me sozinha de pensar na cena.

Que duas!

 

Subia o Arco da Porta Nova, onde àquela hora ( 15h), e diariamente, me cruzo com grupos de estrangeiros que irão, cetamente,  para o autocarro que os vai buscar e seguirem viagem.

Descia a rua um divertido grupo de raparigas (não consegui perceber se seriam estrangeiras ou portuguesas universitárias) quando, de repente, uma das que vem à frente levanta o braço e diz algo como:  "woww!"

Todas páram. Os estrangeiros que seguiam atrás, páram, também.

Simulando um laser intocável, levanta uma perna, avança alguns centímetros, a que estava ao seu lado faz o mesmo, e viram-se para as outras e fazem o gesto para continuarem a andar.

Desatam às gargalhadas as companheiras, todos os que ouviram aquele "woww!" e eu que subia a rua e me cruzei com todos eles.

Falei para o meu decote: " Hoje a tarde está a começar bem!"  

Segui o meu caminho a rir de cada vez que lembrava as cenas desta tarde.

Relaxei no SPA do ginásio com um dos dois tratamentos  de rosto que estavam em "dívida" desde Abril e eu não sabia.

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Coisas que adoro no Verão #3

por Maria Araújo, em 26.07.17

Em criança, na adolescência e até aos 23 anos, antes e depois do mês de férias que passávamos na praia, juntavam-se três famílias amigas e lá íamos todos almoçar para o  pinhal. Seguíamos até à praia, quando apetecesse, e no final do dia,  voltávamos a parar,  para o lanche, entre a praia e Barcelos.

Um "cumbibio" que durava até anoitecer. De vez e quando, ainda passávamos pelo café restaurante Pérola ( ainda existe, confirmei-o há dias quando fui a Barcelos, embora não sei se tem o mesmo género de serviço) e comíamos as deliciosas Clarinhas de Fão.

Enquanto os pais convinviam com os donos, os jovens vinham para o parque terra que ficava em frente, para a brincadeira e até que os adultos decidissem que já era hora de regressar a casa.

Os filhos cresceram, ficaram adultos. Uns casaram, outros seguiram outras caminhos para fora da idade, do país, acabaram-se os convívios.

Nesses tempos que não havia o telemóvel, a música era o diálogo, as brincadeiras, a conversa, as partidas...e a música do rádio portátil.

Hoje, ainda gosto de piqueniques.

 

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Coisas que adoro no Verão #1

por Maria Araújo, em 24.07.17

Participando neste pequeno desafio diário, que coisas gosto eu no verão?

Os dias longos, a praia ( embora nos meses altos e sobretudo ao fim-de-semana a evite) debaixo do guarda-sol a  apreciar o mar, as pessoas, a leitura do livro que me acompanha.

Se possível, ficar até ao pôr-do-sol, tirar muitas, muitas fotografias.

Ver realizado um sonho que tenho sempre, quando conduzo, no regresso a casa: " ter um jardim com sofás, uma mesa cheia de frutos exóticos, saladas de verão, cocktails, tudo preparado pelo "criado". Uma música anos 80, blues, jazz, e desfrutar de um final de dia tranquilo. Se tiver uma piscina, mergulhar, já noite e deixar-me ficar até que o cansaço venha e vá dormir"

 

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 11.07.17

 

Domingo, depois do almoço, alguém tocou campainha da porta da rua.

Fui ao intercomunicador, perguntei quem era, respondeu-me uma voz masculina:

- Boa tarde. Somos da Cáritas e com parceria da Liga Portuguesa Contra o Cancro, gostaríamos de fazer um pedido de ajuda, estamos identificados, temos recibo para o IRS...

Evito abrir a porta a estas pessoas e não quero conversa, interrompi::

- Boa tarde. Obrigada, mas não me interessa colaborar porque faço-o doutra forma, não só pessoalmente na Liga Portuguesa Contra o Cancro, como através da internet e por transferência bancária.

- Ah! Mas a senhora podia abrir a porta e ouvir-nos.

- Desculpe, mas não estou interessada em vos ouvir , tenho outras vias para ajudar...-, respondi.

- Então a senhora confia mais na internet que em nós?- , perguntou, interrompendo-me.

- Sim -, respondi.

Silêncio.

Fui à janela , vi-os sair e entrarem na porta ao lado.

 

Há cerca de 6 anos, comprei um vestido com um corte clássico e sempre actual mas que poucas vezes o vestia porque me cansam os estampados floridos e porque o comprimento era abaixo do joelho, precisava de subir a bainha. Leva um cinto comprido, passa duas vezes na cintura, apertava-o com um nó.

Este ano decidi vesti-lo, mãos à obra, subi a bainha.

Gostei do arranjo que fiz, mas já não queria o cinto original.

Decidi dar-lhe um toque diferente. Cortei-o, medi-o e, há 15 dias, levei-o à retosaria, escolhi a fivela.

A senhora comentou comigo que não sabia se tinha fivela para o que eu queria. Olhei para ela feita parva porque se escolhera a fivela seria essa que teria de a pôr.

Pediu-me o nome e o contacto, dir-me-ia alguma coisa sobre o assunto.

Ok, dei-lhe. Ela é que sabia o que fazer, deixei cinto, contacto, nome.

Passou-se uma semana, não tive nenhum telefonema.

Entretanto, vesti o vestido sem o cinto, que pode ser usado com ou sem ele.

No fim-de-semana lembrei-me do assunto. «Duas semanas sem notícas? Que se passa?» comentei comigo mesma.

Ontem, passei na loja.

Expliquei o que se passava mas ela não deu o braço a torcer sobre a falta do telefonema que me dissera fazer.

Mandou-me esperar um pouco, foi à pessoa que faz os serviços de costura e aplicação dos acessórios. 
Voltou ao balcão e pediu-me para esperar um pouco.

Sozinha na loja, esperei mais de dez minutos.

La dentro ouvia uma máquina de costura a trabalhar. O meu cinto não precisava de costura, apenas de meter os ilhós e aplicar a fivela.Percebi que a pessoa que estava a costurar não pegaria no meu cinto enquanto não acabasse a obra que tinha na máquina.

Entraram clientes, ela não dizia nada, até que perguntei:

- Vão tratar do meu cinto?

- Sim, vão fazer a aplicação da fivela. Espere um pouco.

Farta de estar na loja, disse-lhe que ia dar uma volta e passava lá mais tarde.

Meia hora depois, voltei. 
Foi buscar o cinto, que já estava pronto. Fez a conta.

Paguei. Saí da loja sem que em algum momento que estive lá me pedisse desculpa por não ter dado qualquer informação sobre o assunto.

Presumo que quem faz estes serviços deve ter muito trabalho, o cinto era uma coisinha sem importância, ficou lá a um canto, jamais iriam fazer a chamada a dizer que estava pronto, que podia ir buscá-lo.

Ainda não entendo o que a levou a dizer-me que me telefonaria a informar se tinha a fivela.

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 19.06.17

Cheguei do ginásio, decidi registar o euromilhões e comprar pão na padaria do costume.

O vento soprava muito  forte, o céu estava carregado a ameaçar trovoada e chuva ( que veio, mas mal deu para regar a terra).

Na padaria estavam duas pessoas à minha frente. Entrou uma senhora, idosa, que se pôs ao meu lado. Encostou-se a mim. Senti a mão dela na minha. Afastei-me. Colocou o porta-moedas em cima do balcão, encostou-se de novo. Afastei-me..

De repente, diz ela para as  duas funcionárias que atendiam as duas pessoas:

" Atendam-me que vem chuva e trovoada, quero ir para casa".

Repete duas vezes e à terceiram, uma delas responde:

" Estamos a atender estas pessoas. Espere a sua vez".

Depois de atendidas as duas pessoas, chega a minha vez, pergunta a funcionária, olhando para mim: 

" Quem é  a seguir?"

Responde a senhora:

"Atenda-me a mim que vem chuva e quero ir embora".

O dono da padaria, que fora ao balcão, comentou:

" A senhora está com pressa para ir para casa, ou para andar aí pela rua a passear? Já a conhecemos. Aguarde a sua vez".

Fiz sinal à funcionária para a atender.

Entretanto, a outra, já livre, atendeu-me.

Com o devido respeito pelas pessoas mais velhas, não gostei desta atitude.

Se queria ser atendida, pedia-me a vez.

 

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 09.06.17

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Hoje deu-me para fotografar o que há algum tempo acontece aqui na rua, mesmo em frente à entrada que dá acesso às garagens do meu prédio.

Paga-se estacionamento nesta rua há vários anos. Existe uma placa mesmo em cima da curva, tem duas máquinas, no início e no fim da rua, que facilitam a recolha do bilhete.

No entanto, em toda a rua há dois ou três lugares entre garagens que têm uma árvore que  separa os lugares pintados no chão.Quem estaciona aqui não tira otbilhete porque o lugar não está marcado para estacionamento.

Ora quem conhece isto, vem de  manhã cedo para conseguir lugar para o seu carro.

Já foram muitos os carros aqui estacionados, uns mais compridos que outros, que ficam o dia inteiro, os seus donos vão à vidinha tranquilos.

Acontece que nem todos estacionam os carros de molde a não perturbar quem entra e sai das garagens. Pelo menos entre a minha e do prédio do lado. Bora lá aproveitar. Estaciona-se, e já está.

Ultimamente, um monovolume tem tido a sorte de ter o lugar para si. Estes carros são um pouco compridos, a rua não é larga demais, quem estacionar entres as árvores evita fazê-lo na perpendicular, logo acompanha as linhas  oblíquas marcadas no chão. Mas a traseira fica de tal modo para o lado de dentro que ocupa metade do espaço da entrada para as garagens. 

O meu carro é pequeno, sai bem, mas os carros dos vizinhos de cima são compridos e para sairem têm de fazer algumas manobras, caso haja algum carro estacionado (pago),do outro lado.

Dá-se um jeito, consegue-se fazer as manobras, mas considero uma falta de respeito estacionar o carro  como mostra a fotografia acima.

São várias as vezes que também estaciono o meu carro pequeno em frente à árvore, mas tenho o cuidado de o deixar na vertical para que a traseira não ocupe  essa metade do espaço de acesso às garagens.

Há cerca de dois meses decidi estacionar o carro no parque de estacionamento do ginásio. Pago, mas não tenho o inconveniente de me molhar nos dias de chuva e nos dias quentes de o deixar ao sol.

De manhã há sempre lugares vagos, quem vai ao ginásio estaciona nos lugares mais perto da entrada que dá acesso ao elevador.

Eu estaciono sempre onde há lugar vago e ponto final.

Ora hoje, haviam muitos lugares. Encontrei um que me dava jeito para depois sair de frente, mas desisti.

É que há quem queira tudo para si.

Incrível!

 

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coisas deste dia que começou com sol

por Maria Araújo, em 05.06.17

 

e desde o início da tarde que ficou carregado de nuvens e me deixa melancólica porque quero fazer tudo e não faço nada. 

O carro voltou à oficina. Tinham dito que numa hora o carro ficava pronto. São 17h15, o carro está lá desde as 15h. Aguardo telefonema para ir buscá-lo. São 30 minutos a pé.

Enquanto a chamada não vem, estive a fazer uma reclamação à EDP, que resolve e não resolve os problemas.

Desta vez, são as leituras do contador que comunico online. Acho que não as registam porque nas facturas vem sempre a estimativa, dou a leitura por telefone, já que não consigo dar online,  é a terceira vez que vou à loja reclamar, porque pago mais do que devia.

Pedi uma nova password de cliente EDP. Há anos que não entro na página, vim a descobrir que o meu perfil  é o de uma senhora idosa, vizinha, que tinha o contrato da luz do prédio em seu nome. Já alterei a facturação o contrato e na página está tudo igual, não me é permitido alterá-lo.

Tenho de ficar 24h em jejum. Amanhã vou fazer exames  ao sangue e uma prova de esforço.

Recebi uma chamada para jantar fora, e não me apetece nada ir (mas vou)

Andei pela net e encontrei as mules que detesto. Fazem-me lembrar, com o devido respeito, as vendedoras no mercado.

Com uma tira que viesse pelo calcanhar, ficariam  a meu gosto.

Por ordem de preferência:

vermelho, giras, a minha cor favorita

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gosto muito deste modelo ( falta a tira)

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nem com tiras as usava:

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 Para a praia, estas são uma delícia:

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Desta forma passa-se uma tarde cinzenta e aborrecida.

 

 

 

 

 

 

 

 

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 17.05.17

Há uma semana que não ia ao ginásio. E custou-me.

Primeiro porque o telemóvel ainda não chegou, não posso marcar pela APP, tenho de ir mais cedo 30 minutos para ter a senha.

Segundo, porque de 5ª feira até ontem, os dias têm sido intensos. Com a viagem da mana e Sofia para o Rio de Janeiro, não descanso se não for ver  como estão os gatos, de manhã e à tarde.

Ora hoje, depois da aula de Antigravity, fui ao jacuzzi, tomei banho, saí por volta das 12h15. 
Fui directa a casa da mana, abri os estores, as janelas. Os gatos tinham comida no prato, vim para casa.

Tiro as roupas  do ginásio da mala. Reparo que não tenho o telemóvel que comprei para desenrascar.

Voltei ao carro, estava caído na mala.

Tratei de cozinhar.

Enquanto faço o almoço, venho ao blog, ponho algumas leituras e comentários em dia ( não há tempo para tudo).

De quando em vez, vou à cozinha. Tudo controlado.

Mais uns mintuos, volto às leituras de blogs. Comento.

Quando regressei à cozinha, o  cozinhado já estava no ponto de esturricar.

"Oh, não! Que mania tenho de andar nos blogs enquanto cozinho!"

Esquecera-me do tempo.

Tudo por causa de uma ruiva.

 

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(imagem da internet)

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 23.04.17

Desde que comecei a marcar as minhas aulas no ginásio pela aplicação do telemóvel, levo-o para o quarto, ponho-o a despertar precisamente dois minutos antes da hora que tenho de fazer a marcação. 

Esta madrugada segui a rotina.

De manhã, por volta das 9h00, e a pensar ir à praia, acordei antes de ele me despertar. Peguei nele para ver as horas.

Aparecia no ecrã um fundo preto e as letras a branco, a marca do telemóvel. Deduzi que algo não estava bem.

Tentei desligá-lo, mas não cedeu. Pensei que a bateria poderia estar descarregada, liguei-o à tomada. Nada se alterou.

E a hora para marcar a aula estava a chegar. Desconfiada,  aguardei que o despertador desse sinal. Mas não deu.

Tantava desligá-lo, continuava igual.

Levantei-me, decidida a ir à loja. Esqueci a praia. 

E encontrar a garantia? 

Costumo guardar a factura na pasta do e-factura. Tinha outras mais antigas, e a do telemóvel, que nem um ano tem, não aparecia.

Estava à toa, as pastas são muitas, tinha a certeza que era nesta que a guardara.

Fui ver as pastas mais antigas, não encontrei, até que peguei numa pasta de lombada estreita. Lá estava ela.

O tempo está a favor para caminhar, aproveitei para ir a pé, o que me leva cerca de 35 minutos.

No Media Markt, expliquei o que se passava ( e já não era a primeira nem a segunda vez que isto acontecia, embora desligando e ligando, ele voltava a funcionar).

O telemóvel ficou na loja. 

Sendo um desbloqueado, vi um a 20 euros, serve para o meu dia-a-dia, mas só o compro se não conseguir  um emprestado. A Sofia tem vários, vamos ver se algum serve para desenrascar.

Saí da loja, fui na direcção do centro comercial onde tem uma loja de registo do euromilhões, queria registar o meu caso amanhã decida ir à praia, e na terça, que é feriado, a possibilidade de o registar aqui no centro da cidade é menor.

Da loja, uma fila vinha até à entrada. 

Reparei que predominavam as mulheres, deduzi que estavam ali para comprar raspadinhas.

Ao lado da fila, de costas para mim, uma delas segurava as raspadinhas com uma mão e a outra raspava-as.

Às tantas, vira-se. Reconheço-a, e ela a mim.

Fez-me uma grande festa, há anos que não me via, como estou, e tal.

Eu cumprimentei-a. Não me lembrava do nome, mas também não lhe perguntei ( lembrei-me dele, Rosa, no caminho para casa), perguntei-lhe pelos filhos, se ela continuava lá ( na empresa, não me lembrava que ela tinha emigrado há anos), respondeu-me que já não estava lá, na Suíça, que regressara em 2010 mas os filhos continuavam no país e que vai vê-los várias vezes no ano.

Quando me vê de euromilhões na mão, diz-me que nunca joga, que só joga nas raspadinhas. 

Comento que raramente as compro, que é um vício...

"Ai, nem me diga nada!", comentou, " Se soubesse o quanto eu gasto nelas! Estou sempre a jogar".

Baixinho, digo-lhe eu: " Raramente as compro, jogo no euromilhões com uma amiga, senão nem jogava. Sabe o que faço em vez de gastar o dinheiro nisso? Meto-o num mealheiro. Quando estiver cheio, abro-o e uso-o para alguma viagem que queira fazer."

Respondeu-me ela: " Uma boa ideia, sim senhora, pelo menos não gasta nisto. Usa-o para si. Eu não me controlo."

As senhoras que estavam à minha frente riram-se...Elas também as compravam.

Às tantas, a Rosa, para não ir para o fim de fila, aproveita-se da minha vez e,  junto ao balcão(eu deixei, claro), entrega as rapadinhas sem prémio e pede mais umas quantas de vários valores.

Despediu-se de mim e foi embora.

A Rosa era ajudante de cozinheira na empresa do meu pai, onde eu também trabalhei 15 anos. O marido era trolha, tinha uma pancada, era um inconstante, ela queixava-se dele, mas adorava-o. E acho que ele a ela. 

Acabei o curso, saí da empresa. Ela  ficou mais uns anos, até emigrar.

Passaram 26 anos.Ela está uma lady. Unhas compridas, de gel, bom aspecto, com certeza. Uma chave grande na mão, só podia ser de um carrão. Gasta um dinheirão nas raspadinhas, mas ela sempre teve um bom coração.

Oxalá a vida lhe sorria por muitos anos e que o dinheiro que gasta em raspadinhas não venha a fazer-lhe falta.

Gostei de ver a Rosa.

 

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 27.03.17

 

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Costumo marcar na APP as minhas aulas no ginásio, com 24h de antecedência.

Até ver, só uma vez não consegui a marcação.

As senha para as aulas de Pilates esgotam. Quem não marca, e porque as senhas na APP andam pelas cinco, tem de ir antes das 9h, hora a que começam a entregá-las, para conseguir uma.

Quem marcou, tem de levantar a sua até dez minutos antes de a aula começar. Um minuto de atraso, entregam a quem não conseguiu ao balcão.

Cheguei ao ginásio por voltas das 9:10h. Não me lembrava que tinha marcado a aula, aguardei que a funcionária me desse a senha.

E ela olhava para mim. Estava convencida que eu ia fazer uma aula de aparelho, não preciso de senha.

E foi quando, de repente, lhe disse: " Eu marquei a aula". 

Quando me dirigi ao estúdio, a fila não era grande, ainda faltavam cinco minutos para a professora abrir a porta.

Odeio encostar-me às pessoas, mas parece-me que há quem goste.

Sinto um corpo encostado ao meu. Virei-me. Uma senhora diz-me: "chegue-se mais para a frente".

Olhei-a com ar de parva e respondi: " Desculpe, mas eu odeio colar-me às pessoas" (usei a palavra colar propositadamente).

Ela acrescenta: " Também eu, mas é para dar mais espaço".

Não me mexi.

Ela virou costas e pôs-se na conversa com outra senhora. E já estava a ver que esta queria passar à frente quando a professora abriu a porta para entrarmos ( civilizadamente e na sua vez).

E eu sei porque elas querem ser as primeiras. Vão a correr pegar nos colchões para ocuparem o lugar habitual na sala, como se houvessem lugares cativos.

Irritam-me, estas pessoas.

 

 

 

 

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